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Entregues à própria sorte, indígenas denunciam ao MPF, Funai, Ibama e autoridades invasão de territórios e ameaças de grileiros, além do risco de ocorrência de um novo surto de viroses gripais e malária na mesorregião do médio Purus
Foto: Reprodução

Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Praticamente isolados, indígenas das aldeias Nossa Senhora do Carmo, no Lago Jenipapo e Kaxarari, no Lago Ananá, na região do Médio Purus, o município de Beruri poderão, à qualquer hora, ser surpreendido com um novo surto de malária e outras endemias comuns nessa época do ano.

 

As aldeias, com a vazante do rio Purus, seus sub e os afluentes, tem dado sinais de que a população indígena local, com reaparecimento de viroses gripais, febre alta, dores no corpo, calafrio, sede, vômito e diarreia, devem vir a ser acometidas por um novo surto da doença e suas variáveis mais graves.

 

De acordo com relatos dos caciques, “o rio baixou muito, os lagos e igarapés já registram superpopulação de mosquitos da malária”. Além do avanço em bando em bando de nuvens de Mutuca, Pinhum e Potó, outros insetos “picam a gente, até mesmo, durante o dia”, fora do horário tradicional do mosquito da malária agir em locais de água parada e dormitórios - logo cedo manhã e final da tarde.

 

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No quadriênio 2019-22 o número de casos de malária foi alarmante se considerado o padrãoda doença no Médio e Alto Purus verificado no século passado. À época, ao primeiro sinal do aumento do número de casos, “os guardas-mosquitos da antiga Sucam chegavam, aqui, como se fossem um batalhão de combate do Exército Brasileiro”, segundo indígenas mais velhos.

 

Com a atual vazante, desde a última grande cheia do Purus, as comunidades indígenas sempre tiveram problemas para ter o primeiro atendimento. Em pleno século XXI, “tudo continua como antes”, se queixam moradores das comunidades Itapuru, Arumã e da Aldeia Terra Vermelha”. Eles apontam má atuação do Conselho Distrital Indígena (Condisi) - por não se antecipar nos informes das doenças ao órgão regional, com sede em Capital Manaus.

 

 

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lutar em causa própria, e não para todos

 

Desde que as águas começaram a baixar, crianças, mulheres e idosos da região - não só indígenas, como não-indígenas -, foram acometidos de viroses gripais e não se curaram por falta de atenção. Outros apresentam sintomas típicos da malária, mas, são impedidos de chegar a tempo à cidade.

 

Nos postos de saúde nas aldeias e vilarejos locais, Agentes Comunitários (ACS) sob segredo da identidade, revelam falta de remédios, medicamentos e material para exames básicos. Eles trabalham de Sol a Sol e não são reconhecidos pelos relevantes serviços que prestam aos cidadãos dos territórios indígenas e das comunidades.

 

A maioria das comunidades indígenas na mesorregião do Purus e sub-região do baixo rio Purus à cidade de Beruri, na tripla divisa com os municípios de Anori e Manacapuru, “não tem 100% de água potável”. Indígenas da Aldeia Kaxarari, no Lago Ananá, “tiveram a Estação de Tratamento de Água desviada pelo presidente do Condisi”, no Lago Jauari - local de mais reunião de conselheiros de saúde prevista para o dia 29 deste mês.

 

Na Aldeia Nossa Senhora do Carmo, a ameaça de surto de malária virou motivo de preocupação dos indígenas. Segundo lideranças, “falta remédios, medicamentos e material de uso contínuo”. O fato, há quatro semanas, foi informado diretamente à nova gestão do Distrito Distrital Especial Indígena (DSEI), em Manaus Capital.

 

Da mesma forma, o “PORTAL DO ZACARIAS" apurou que, além da perda de dinheiro com os manejos privados do pescado (pirarucu, tambaqui, mapará e outras espécies nobres cobiçadas pelo mercado), indígenas e ribeirinhos) padecem com a perda de direitos previstos na Constituição Cidadão de 88, há décadas. Inclusive com a falta de infraestrutura das aldeias e vilarejos.

 

SOCORRO VEM À PÉ E DE RABETA

 

“A única lancha rápida, um 40 HP, tornou-se, praticamente, objeto particular de um morador”, reclamam comunitários indignados com o uso pessoal do veículo. Fora de operação, ficou difícil o atendimento de emergência e urgência de pacientes das aldeias para o Polo Base e o hospital, em Beruri, a 173 quilômetros da Capital Manaus.

 

Com a recusa de um pronto atendimento a indígenas, supostamente, não cadastrados pela antiga Coordenadoria Estadual do DSEI (2019-22), os indígenas encontraram no Ministério Público Federal (MPF), na nova gestão da Funai, Ibama, do DSEI, Condisi e na Polícia Federal, “os únicos meios de defesa de seus direitos”.

 

 

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Além da probabilidade de indígenas dos Povos Apurinã e Kaxarari serem atingidos por viroses gripais, malária e suas variáveis, “esses brasileiros genuínos, passaram a ser incomodados por manejadores de pescado, serradores de madeira e grileiros fortemente armados usando, inclusive, matilha de cães Pitbul para amedrontá-los no meio da floresta", atesta boletim de ocorrência na Delegacia Interativa de Polícia (80ª DIP).

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