O dólar fechou em alta mesmo depois de duas intervenções do Banco Central no câmbio
O aumento da desconfiança com a política fiscal do governo, alimentada pela crítica do presidente Lula à alta da taxa básica de juros (Selic), e o risco de desidratação das medidas de cortes de gastos enviadas ao Congresso pressionaram o câmbio e os juros futuros, que dispararam e já projetam Selic a 16,5% no segundo semestre do ano que vem.
O dólar fechou em alta mesmo depois de duas intervenções do Banco Central no câmbio. A autoridade monetária fez dois leilões de dólares para aumentar a oferta no mercado de câmbio, um já programado desde sexta-feira, com oferta de US$ 3 bilhões, com compromisso de recompra (o chamado leilão de linha), e um à vista, sem garantia de recomprar, no total de US$ 1,627 bilhão.
Foi a maior intervenção no mercado à vista desde 24 de abril de 2020, um mês após o início da pandemia de Covid, quando o BC vendeu US$ 2,175 bilhões.
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CRISE DE CONFIANÇA FISCAL
O Ibovespa também refletiu o ambiente negativo e caiu 0,84%, aos 123.560 pontos, pressionado pelos juros futuros, que derrubaram as ações de empresas que atuam no mercado doméstico.
Na semana passada, além de elevar a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, o BC já havia injetado quase US$ 5 bilhões em leilões de linha e à vista, ações que não foram capazes de fazer a cotação do dólar cair.
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Para analistas, intervenções do BC no câmbio são comuns no fim do ano por causa da menor liquidez (oferta de dólares disponível no mercado) e pelo envio de remessas de multinacionais para suas sedes no exterior.
'NÃO ESTÁ FALTANDO DÓLAR'
Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências Consultoria, afirma que o atual patamar da divisa não pode ser explicado por falta da moeda.
Não está faltando dólar no Brasil — diz o economista, afirmando que a alta da moeda americana é reflexo da falta de confiança na capacidade de o governo equilibrar as contas públicas.A dinâmica de preços dos ativos, segundo Campos Neto, pode refletir um cenário grave de dominância fiscal (cenário em que o descontrole fiscal, o déficit primário e a dívida bruta de um país fazem com que a alta dos juros pelo BC seja inócua para controlar a inflação). Isso porque o câmbio continuou subindo após o BC elevar a Selic para 12,25% ao ano e sinalizar mais duas altas.

Fotos: Reprodução
Pode-se dizer que se o BC não atuasse a alta do dólar poderia ser até maior. Mas o fato é que o BC não tem capacidade de mudar drasticamente essa dinâmica porque o problema não é escassez de dólar, mas, uma crise de confiança — disse o economista.
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O Boletim Focus, que reúne as previsões do mercado, mostrou ontem que a projeção para a Selic subiu para 14% no ano que vem. A previsão para a inflação em 2025 continua acima da meta e subiu para 4,60%.
Fonte: O Globo