NOTÍCIAS
Internacional
Espanha insiste em negar racismo estrutural, diz embaixador do Brasil
Foto: Pedro França/Agência Senado

Telegrama do embaixador Orlando Leite Ribeiro apontou ao Itamaraty resistência da sociedade espanhola em reconhecer racismo estrutural

O diplomata Orlando Leite Ribeiro, embaixador do Brasil em Madri, observou ao Itamaraty em telegrama sigiloso que a sociedade da Espanha insiste em negar existir racismo estrutural no país e apontou “grande resistência” em “ver-se como racista”. O embaixador está no cargo desde 2022, período em que representou o Brasil em todos os episódios de ataques ao jogador Vini Jr, do Real Madrid. Nesta segunda-feira (28/10), o brasileiro e o clube espanhol boicotaram a entrega da Bola de Ouro da revista France Football, em Paris.

 

O telegrama do diplomata foi enviado à Secretaria de Estado do Ministério das Relações Exteriores em 14 de outubro. No documento, a que a coluna teve acesso, Ribeiro faz avaliações sobre a repercussão de um discurso do presidente da Espanha, Pedro Sánchez, e como as declarações dele sobre a imigração africana evidenciaram o racismo estrutural e a discriminação no país europeu.

 

“Em aditamento ao expediente de referência, avalio que a repercussão do discurso do presidente de Governo, Pedro Sánchez, sobre a questão migratória, evidenciou a discriminação entranhada nas correntes xenófobas e, mais ainda, o racismo estrutural ainda presente na sociedade espanhola — e que o país insiste em tentar negar existir”, escreveu o embaixador.

 

Veja também

 

Menino que nasceu surdo de um ouvido reage ao ganhar aparelho auditivo

 

Milionário: prefeito eleito de Goiânia é o mais rico das capitais

 

O discurso de Sánchez, citado por Orlando Leite Ribeiro, foi feito ao Congresso da Espanha em 9 de outubro. O presidente espanhol leu uma notícia publicada por um jornal da Venezuela de maio de 1949, que narrava a chegada de uma embarcação com migrantes espanhóis ilegais em condições degradantes e insalubres ao país sul-americano naquele ano. Ele fez uma comparação entre esse passado e o presente, com a migração de africanos contra a qual a extrema-direita espanhola se levanta.

 

No comunicado ao Itamaraty, o embaixador narrou as reações de líderes de partidos de direita e extrema-direita como PP e Vox e apontou que, ao responder a uma delas, Sánchez usou a palavra “racista”.

 

O diplomata apontou que líderes políticos e parlamentares espanhóis costumam deixar de usar o termo e se referem aos posicionamentos dos extremistas como problema “ideológico”, sobretudo quando não condenam a migração de ucranianos, por exemplo, mas sim a de africanos.

 

“Apesar de Sánchez e de poucos outros, como o porta-voz do EH Bildu, Mertxe Aizpurua, terem expressamente utilizado o termo ‘racista’, é emblemático que a maioria dos parlamentares prefira utilizar o termo ‘ideológico’ para descrever os dois pesos e duas medidas que discriminam a imigração africana da ucraniana”, observou o embaixador.

 

Ainda conforme o documento, “há uma grande resistência da sociedade espanhola em ver-se como racista, mesmo frente a óbvios exemplos, como é o caso da imigração ou o dos insultos sofridos por esportistas afro-descendentes”.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram

 

Nos últimos anos, um exemplo eloquente do racismo espanhol, que o país insiste em negar, como disse o embaixador, é Vini Jr., jogador brasileiro do Real Madrid. O atacante frequentemente é alvo de insultos racistas em estádios espanhóis e, como se não bastasse, costuma ser criticado ao reagir veementemente ao racismo na Espanha. Dois espanhóis já foram condenados à prisão por ataques discriminatórios contra Vini Jr.

 

Fonte: Metrópoles

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.