Cientistas descobriram por que a incidência de câncer atinge o pico nos primeiros anos da terceira idade e depois diminui novamente
Cientistas descobriram por que o risco de ter câncer diminui à medida que envelhecemos. Em estudo publicado na revista Nature, os pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), dos Estados Unidos, apontam uma relação entre envelhecimento, câncer e metabolismo do ferro.
Em geral, a prevalência do câncer aumenta com o passar dos anos, após décadas de exposição a fatores de risco — como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, exposição ao sol e obesidade —, devido ao acúmulo de mutações genéticas em nosso organismo. Mas, após os 80 anos, a incidência de câncer cai novamente. “Nossa pesquisa ajuda a mostrar o porque isso acontece. Células envelhecidas perdem sua capacidade de renovação e, portanto, de crescimento descontrolado que acontece no câncer”, disse a principal autora do estudo, Xueqian Zhuang, em comunicado à imprensa.
Para investigar por que a incidência de câncer atinge o pico nos primeiros anos da terceira idade e depois começa a diminuir novamente, a equipe do MSK se debruçou em uma pesquisa com camundongos geneticamente modificados, com câncer de pulmão. Assim, foi possível fazer o rastreamento do comportamento das células-tronco alveolares tipo 2 (AT2). Essas células são cruciais para a regeneração pulmonar e também são onde muitos cânceres de pulmão começam.
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Os pesquisadores descobriram que, à medida que os ratos envelhecem, eles ficam com níveis mais altos de uma proteína chamada NUPR1. Essa proteína faz com que as células funcionem como se tivessem deficiência de ferro, mesmo tendo níveis normais ou até elevados do mineral. Esse cenário atrapalha a regeneração celular – restringindo tanto o crescimento das células saudáveis quanto dos tumores cancerígenos.
“Na verdade, as células envelhecidas têm mais ferro, mas, por razões que ainda não entendemos completamente, elas funcionam como se não tivessem o suficiente”, diz Zhuang. O mesmo processo foi observado em células humanas. Níveis mais altos de NUPR1 levam a uma queda na quantidade de ferro disponível para as células. Quando o nível de NUPR1 foi artificialmente reduzido ou o ferro foi aumentado, a capacidade de crescimento celular foi impulsionada novamente.
Os pesquisadores acreditam que a descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos com foco no metabolismo do ferro, especialmente em pessoas mais velhas.
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“O que nossos dados sugerem em termos de prevenção do câncer é que os eventos que ocorrem quando somos jovens são provavelmente muito mais perigosos do que os eventos que ocorrem mais tarde. Portanto, impedir que os jovens fumem, se bronzeiem ou tenham outras exposições cancerígenas óbvias é provavelmente ainda mais importante do que pensávamos”, disse o biólogo Tuomas Tammela, em comunicado à imprensa.
Fonte: Metrópoles