O ex-jogador de futebol Mikheil Kavelashvili foi nomeado neste sábado presidente da Geórgia por um colégio eleitoral dominado pelo partido no poder, em uma votação boicotada pela oposição em meio a uma crise constitucional e após semanas de protestos maciços pró-União Europeia.
O presidente da comissão eleitoral, Giorgi Kalandarishvili, indicou que Kavelashvili, da extrema direita e apoiado pelo partido no poder, Sonho Georgiano, foi eleito com 224 votos para um mandato de cinco anos. As eleições presidenciais diretas foram eliminadas pela sigla governista em 2017.
A atual chefe de Estado, Salomé Zurabishvili, denunciou a votação como “ilegítima” e disse que se recusa a entregar o cargo até que sejam realizadas novas eleições legislativas.
Veja também

Ucrânia reivindica bombardeio contra instalação petrolífera na região russa de Oriol
Itália concede cidadania ao presidente argentino Javier Milei
Kavelashvili, de 53 anos, foi o único candidato para o cargo, uma vez que a oposição se recusa a ocupar seus assentos no Parlamento e não propôs qualquer nome para este papel essencialmente cerimonial. Ex-astro do Manchester City, ele é conhecido por suas veementes declarações contra o Ocidente e pela oposição aos direitos da população LGBTQIAP+.
O país caucasiano atravessa uma profunda crise institucional desde que o Sonho Georgiano reivindicou a vitória nas eleições legislativas de 26 de outubro, consideradas fraudulentas pela oposição, e desde que o governo decidiu, no mês passado, adiar as negociações de adesão à UE até 2028.
Uma das principais linhas divisórias é a política externa. A oposição acusa o Sonho Georgiano, fundado pelo magnata Bidzina Ivanishvili, que fez fortuna na Rússia e governa o país nos bastidores há mais de uma década, de adotar uma postura autoritária e pró-Rússia.
Já a presidente Zurabishvili, ex-diplomata francesa de 72 anos, tornou-se uma das vozes da oposição pró-europeia.Neste sábado, manifestantes foram para a porta do Parlamento protestar contra a escolha de Kavelashvili para presidente, no 17º dia consecutivo de manifestações maciças no país.
Com Zurabishvili se recusando a deixar o cargo, deputados da oposição boicotando o Parlamento, protestos não dando sinais de diminuir e os especialistas em direito constitucional dizendo que a votação será ilegítima, Kavelashvili verá sua Presidência prejudicada desde o início.
Um autor da constituição da Geórgia, Vakhtang Khmaladze, argumentou que todas as decisões do novo Parlamento são nulas, pois ele ratificou os mandatos dos deputados recém-eleitos, violando a exigência legal de aguardar o resultado de um processo judicial movido por Zurabishvili contestando a legitimidade das eleições.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
— A Geórgia está enfrentando uma crise constitucional sem precedentes — disse Khmaladze à AFP.Ainda não está claro como o governo reagirá à recusa de Zurabishvili em renunciar após a posse de seu sucessor em 29 de dezembro. Ex-diplomata, Zurabishvili é uma figura extremamente popular entre os manifestantes, que a veem como um símbolo das aspirações europeias da Geórgia.
Fonte:O Globo