A indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) identificou os lotes de petardos — blocos de TNT prensado — de onde saíram parte do material apreendidos pela Polícia Civil em dois carros abandonados em Santa Cruz, na Zona Oeste.
Segundo a empresa estatal, os explosivos foram entregues ao Exército Brasileiro em 2010 e 2009. Nesta sexta-feira, eles foram encontrados em veículos abandonados próximos a três escolas e a uma unidade de saúde. De acordo com a polícia, o material pertencia à quadrilha de Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, e seria usado em um golpe contra a milícia rival.
Um dos petardos é identificado pela Imbel como "artefato de uso militar", produzido para "destruições e demolições". O TNT prensado é colocado em embalagem plástica ou metálica, e pode ser acionado por espoleta — nome dado ao dispositivo que aciona a bomba — comum ou elétrica.
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Esse explosivo encontrado é o MD1, que tem 50 gramas. Seu lote é o L.001/10, enquanto o lote do TNT é o nº. 016/09. Outro explosivo recuperado pela polícia também é um petardo de 50 gramas, de lote nº. MB 05/09.
De acordo com manifesto da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), emitido em 2022, o petardo MD1 é fornecido exclusivamente pela Imbel, por meio da Fábrica Estrela, localizada em Magé, na Baixada Fluminense.
Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) afirma que "não teve acesso ao material apreendido, nem foi formalmente notificado pelas autoridades competentes a respeito do caso". Ainda segundo o órgão, "até o presente momento não foi identificado desvio ou sumiço do material em questão. O
CML reforça que está à disposição para colaborar com as investigações e apurações decorrentes".A apreensão da Polícia Civil tem ainda 11 carregadores diversos de fuzis 762, um revólver 32, uma capa de colete, uma espingarda, coturnos e detonadores, assim como mais de cem munições.
Além dos explosivos, foram encontrados também seis galões de gasolina, com 5 litros, cada. Para a polícia, o combustível poderia ser utilizado para fabricação de bombas incendiárias, do tipo coquetel molotov, ou mesmo para potencializar as explosões.
A área em que o material foi encontrado — o João XXIII — é conhecida por ser controlada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, ex-integrante da milícia de Wellington da Silva Braga, o Ecko. O miliciano que controlava a região até então, conhecido como Jacão, foi executado na última segunda-feira, dia 7. A morte teria sido executada por um grupo rival liderado por Paulo David Guimarães Ferraz da Silva, o Naval.
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As investigações apontam indícios de que o material apreendido possa pertencer ao grupo de Varão, que tenta expandir seu controle na região após a execução de Jacão.
Fonte:Extra