Esfaqueados, com marcas de agressões e amarrados, o casal de idosos Antônio Sidinei Rocha Santos, de 68 anos, e Selma Muniz Santos, de 76 foi encontrado morto dentro da casa onde morava, no domingo, na Rua Amanda Guimarães, no bairro Portuguesa, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. Ela estava em cima da cama, com vários ferimentos. Ele foi achado num outro cômodo, com lesões na cabeça. O GLOBO foi até o local e, segundo vizinhos, quem achou os corpos foi um dos filhos do casal. Ele teria pedido socorro na rua, acreditando que a mãe ainda estava com vida.
Segundo os relatos dos vizinhos, o filho teria combinado de almoçar com os pais na casa de uma parente e foi buscá-los. Chegando ao local, ainda de acordo com amigos da família, o rapaz encontrou o pai com a cabeça muito machucada num cômodo da residência e a mãe amarrada na cama do quarto, também ferida. Vizinhos contam que ele acreditou que Selma ainda estava viva e saiu correndo pela rua pedindo ajuda.
— Muito triste tudo isso que aconteceu. Nós estamos muito assustados porque aqui é um lugar muito tranquilo, agora fica todo mundo com medo. Os dois eram ótimas pessoas, não perturbavam ninguém. Duas pessoas boas, calmas e que quase nem saíam de casa — relata uma moradora que preferiu não ser identificada.
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Outro morador da Rua Amanda Guimarães, que também não quis se identificar, disse que ninguém notou nada de estranho e nem teriam ouvido barulhos.
— A gente só foi saber que estava acontecendo alguma coisa quando o filho deles saiu pedindo ajuda mesmo. Um vizinho que é médico chegou a ir à casa, mas lá ele já disse que nenhum dos dois tinha vida. O filho acreditou que ela pudesse estar viva porque o corpo ainda estava quente. Foi um susto para todo mundo, ainda mais por acontecer uma coisa dessas com duas pessoas tão tranquilas — conta o morador.
Até a noite de segunda-feira, horas depois do sepultamento, o carro de Sidinei ainda estava estacionado na porta da casa do casal. Na varanda da casa, cercada com grades vazadas, era possível ver calçados na entrada da residência e uma rede estendida debaixo da janela.
A PM informou que, na tarde de domingo, o 17º BPM (Ilha do Governador) foi acionado para verificar uma ocorrência no endereço e encontrou o casal já morto.
Na residência dos idosos, que estavam casados há mais de 30 anos, a polícia apreendeu uma faca e um objeto de decoração, feito de madeira, ambos com marcas de sangue, que podem ter sido usados nas mortes.
Não havia sinais de arrombamento no local. De acordo com o “RJTV”, dois celulares e uma carteira foram levados. Pessoas próximas à família desconfiam de que o assassino seja uma pessoa próxima. Câmeras de segurança instaladas em imóveis da Rua Amanda Guimarães podem ajudar a elucidar o crime.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foi acionada para fazer uma perícia no local e assumir as investigações sobre o caso. “Os agentes estão em busca de informações e realizam diligências para identificar a autoria e esclarecer a motivação do crime”, informou a Polícia Civil, em nota.
O enterro dos idosos aconteceu ontem à tarde, no Cemitério da Cacuia, reunindo dezenas de amigos e familiares, todos muito consternados. Abalados, os dois filhos do casal não quiseram falar com a imprensa. Um deles chegou a passar mal ao caminhar para o jazigo em que Selma e Antônio Sidinei foram sepultados juntos. Mais de 20 coroas de flores foram recebidas na cerimônia, que terminou com uma salva de palmas.
Selma era professora aposentada e há anos era voluntária numa igreja católica, atuando com 15 mulheres que cozinhavam para distribuir marmitas para a população em situação de rua. Também integrante desse grupo e amiga de Selma, Margarida do Céu esteve ontem no enterro e lamentou a tragédia. Segundo ela, as imagens de câmeras de segurança já foram entregues à polícia.
— É uma tragédia, vamos sentir muita saudade da Selma. Ela era uma pessoa tão boa, toda segunda-feira fazia questão de levar lanches pra gente. Isso tem que ser resolvido. O que nós sabemos é que as imagens (das câmeras) já foram entregues para a polícia. A família encontrou (os corpos) porque foram buscar a nossa amiga para ir almoçar no domingo, uma tristeza.
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Prima de Antônio Sidinei, que era microempresário, Darlen Gonzaga disse que está sendo difícil para a família acreditar na perda dos dois:— Eles eram pessoas justas, do bem, viveram para criar os dois filhos. Um excelente casal.
Fonte:Extra