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Fortuna de Trump mais do que dobrou entre uma eleição e outra, mas derrota agora pode impactar seu patrimônio e situação legal
Foto: Reprodução

Ex-presidente tem feito grandes promessas às grandes empresas, distanciando-se de seu discurso de campanha em 2016, quando disse que era tão rico que era incorruptível

À medida que tenta retornar à Casa Branca, Donald Trump se distancia de seu discurso de campanha de 2016 de que era tão rico que era incorruptível. Naquela época, o magnata zombou da classe de doadores-lobistas do Partido Republicano e se gabou ao anunciar a candidatura dizendo: “Não preciso do dinheiro de ninguém.”

 

Hoje, o ex-presidente dos EUA procura dinheiro em todos os lugares: pedindo a pequenos doadores on-line, pressionando colegas bilionários em jantares fechados na Trump Tower e fazendo lobby para obter doações de setores regulamentados pelo governo. Ao agir assim, o republicano às vezes faz promessas claras sobre o que fará quando estiver no cargo, um nível de explicitação em relação a setores específicos e a um punhado de bilionários que raramente foi visto na política presidencial moderna.

 

Em alguns casos, Trump procurou liberar dinheiro de setores como petróleo e energia, que há muito tempo estão alinhados com sua agenda de desregulamentação. Em outros, inverteu suas posições, como no caso das criptomoedas, no qual passou de defensor da regulamentação do setor para um empresário do ramo.

 

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— O ex-presidente Trump tem uma placa de “Vende-se” em volta do pescoço e parece estar disposto a comercializar basicamente qualquer política em troca de contribuições de campanha — disse Dennis Kelleher, presidente da Better Markets, uma organização sem fins lucrativos que busca uma regulamentação mais forte dos mercados financeiros.

 

Em 2016, o magnata prometeu “drenar o pântano”. Mas como presidente não fez nada disso. Ele contratou altos executivos de empresas de Wall Street, como a Goldman Sachs, e dos setores de combustíveis fósseis e farmacêutico. Encerrou a prática de tornar públicos os registros de visitantes da Casa Branca.

 

Sua família administrava um hotel com fins lucrativos a quarteirões da Casa Branca, que se tornou um antro de atividades de lobby e um local de estada obrigatória para aqueles que queriam obter favores. As pessoas que pagavam taxas caras para se associar ao seu clube particular em Mar-a-Lago tinham acesso fácil a Trump e, muitas vezes, aproveitavam a oportunidade para apresentar seus interesses pessoais.

 

— Trump foi o primeiro presidente transacional — disse Scott Reed, consultor republicano de longa data e ex-estrategista político da Câmara de Comércio dos EUA. — Ele agora levou isso a um novo nível.Ao contrário de 2020, sua vitória ou derrota em novembro terá implicações mais significativas para sua fortuna, bem como para sua situação legal.

 

A maior diferença para Trump desta vez, segundo apuração do jornal Wall Street Journal (WSJ), é a sua participação de US$ 4 bilhões (US$ 22,8 bilhões) no Trump Media & Technology Group, que opera o Truth Social, a plataforma de mídia criada pelo magnata. Apesar da alta quantia, ela é surpreendentemente efêmera, impulsionada por investidores entusiasmados e pode "ir a zero" caso ele perca em novembro, afirmou Matthew Tuttle, executivo-chefe da Tuttle Capital Management, que investiu na Trump Media por conta própria.

 

O WSJ estima que o patrimônio líquido de Trump hoje esteja entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões (entre R$ 42,75 bilhões e R$ 57 bilhões), incluindo as dívidas. É o valor mais alto dos últimos anos e representa mais do que o dobro do que era em 2020 e 2016, graças ao valor do Truth Social, ao melhor desempenho da série de propriedades de golfe da Trump Organization e à sua sólida liquidez, que compensaram as perdas expressivas no valor de suas propriedades imobiliárias, atingidas por uma das piores retrações nos preços de imóveis comerciais dos EUA em décadas.

 

Mas todo esse dinheiro pode ser necessário para lidar com as questões legais de Trump, que enfrenta quatro processos criminais, incluindo um por interferência eleitoral na Geórgia e outro por seus esforços para anular a eleição de 2020. Ele também foi condenado em um tribunal estadual em maio por falsificar registros fiscais de pagamentos de suborno à estrela pornô Stormy Daniels antes da eleição presidencial de 2016.

 

O ex-presidente ainda terá de pagar US$ 489 milhões (R$ 2,78 bilhões) após ter sido condenado, em Nova York, por inflar o valor de suas empresas para ter condições de empréstimo favoráveis e outros benefícios, e mais US$ 83 milhões (R$ 473 milhões) em indenizações à escritora E. Jean Carroll após um júri federal condená-lo por difamação e abuso sexual.

 

Trump nega essas acusações e entrou com recurso contra as sentenças civis. Mas se perder a eleição, ele provavelmente enfrentará os processos que conseguiu adiar até depois da disputa. Em uma declaração, Karoline Leavitt, porta-voz da campanha de Trump, disse: “O Presidente Trump só recebe suas sugestões sobre políticas de um grupo de pessoas: o povo americano.”

 

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Ganhando ou perdendo, a empresa de Trump provavelmente sobreviverá. Como ele tem 78 anos de idade, a administração cotidiana pode permanecer com o filho mais velho, Eric Trump. Uma grande questão será se a empresa terá dinheiro para crescer ou se grande parte dela será consumida por julgamentos legais e honorários advocatícios. (Com The New York Times) 

 

Fonte: O Globo

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