A CFJ, que representa familiares de vítimas, abriu ação na Argentina por falta de resposta das autoridades venezuelanas
A Fundação Clooney para a Justiça (CFJ), do ator George Clooney, acusou as forças de segurança venezuelanas de crimes contra a Humanidade contra opositores do governo desde 2014, em um processo aberto na Argentina nesta quarta-feira. A CFJ, que representa familiares de vítimas de violência na Venezuela, entrou com a ação na Argentina por falta de resposta das autoridades venezuelanas.
— O sistema de justiça venezuelano está falhando com as vítimas de atrocidades em massa em sua luta por justiça — disse Yasmine Chubin, diretora-jurídica do CFJ. — É por isso que estamos ajudando os sobreviventes e suas famílias na coleta de evidências dos crimes cometidos contra eles e na busca de jurisdições alternativas para garantir que os autores desses crimes sejam responsabilizados.
A ação foi movida em nome de duas famílias que foram vítimas de forças de segurança em diferentes regiões do país. As evidências apresentadas pelo CFJ apontam para a possível responsabilidade penal das forças de segurança em crimes de lesa-Humanidade contra as vítimas, vinculadas à oposição.
Veja também

Adolescente que abatia aves será indenizado em R$ 13 mil por trabalho infantil
— Estamos falando de detenções arbitrárias, tortura, execuções extrajudiciais — disse à Reuters Ignacio Jovtis, advogado da Fundação Clooney, que preferiu não divulgar detalhes da denúncia por questões legais e de segurança.
A jurisdição universal permite que os países processem os crimes mais graves, independentemente de onde foram cometidos e da nacionalidade do perpetrador ou da vítima. Os tribunais federais argentinos já aplicaram o princípio em outros casos. Em 2010, uma ação de um tribunal argentino levou a uma ordem de exumação na Espanha, que permitiu que a filha de uma vítima do regime de Francisco Franco (1936-1977) pudesse recuperar os restos mortais de seu pai — algo que os tribunais espanhóis não conseguiram.
Em 2021, novamente aplicando a jurisdição universal, um juiz federal argentino iniciou uma investigação sobre o suposto genocídio cometido contra a comunidade rohingya em Mianmar.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
Fonte: O Globo