Balsas e dragas ancoradas na orla da cidade de Humaitá
Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Com aproximadamente cerca de um sexto de sua população envolvida com atividades ligadas a garimpos ao longo do rio Madeira, garimpeiros e dragueiros de vários pontos do Estado protestam nesta terça-feira, 29, contra as operações conjuntas do Ibama da Polícia Federal.
O movimento paredista, segundo organizadores de uma cooperativa próxima de sua regularização, "é totalmente pacífico e não tem caráter extremista”. O ato cidadão foca na necessidade de o Governo legalizar as operações de lavra a garimpeiros que, há décadas, “sobrevivem dessa atividade como meio de vida para si e suas famílias nesta parte do Estado”.
Ao deflagrar a “Operação Alerta Amazônia”, cuja cobertura policial e de fiscalização ambiental se estenderia à Amazônia (Oriental e Ocidental), o Ibama através da Polícia Federal e Força de Segurança Nacional (FSN), vem erradicando garimpos ilegais (principalmente nos estados do Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Amapá e Roraima).
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Em Humaitá, agentes do Ibama e da Polícia Federal vem destruindo balsas em operação de combate ao garimpo ilegal de ouro nos rios da dupla divisa com do Amazonas e com a vizinha Rondônia, “detentora do maior complexo de dragas com aporte de lanças de sucção medindo 35 a 45 metros”, revelam mineradores familiares.
Essa é a segunda maior operação de combate ao garimpo ilegal ao longo do rio Madeira pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), em ação conjunta com agentes da Polícia Federal (PF-AM). Em 2017, durante a “Operação Ouro Fino”, numa contraofensiva à destruição de balsas e dragas, garimpeiros revoltados atearam fogo nas bases do ICMBIO e Ibama, em Humaitá, a 591,33 quilômetros da Capital Manaus.
Conforme dados coletados junto ao Setor de Inteligência do Estado, garimpeiros deram a largada à “caminhada contra os atos do Ibama e da PF” do Centro Antigo da cidade de Humaitá - local da concentração em frente à Igreja Matriz (Igreja Católica).
Foto: Divulgação
O movimento, de acordo com policiais, não teria sido oficializado aos órgãos de segurança nem ao setor competente da Prefeitura. Mas, o prefeito, Dedei Lobo, em entrevista, “empresto toda a minha solidariedade aos trabalhadores garimpeiros de meu município”.
A passeata percorreu todas as ruas da cidade, retornando ao local de partida.
Manifestação dos garimpeiros na cidade
de Humaita (Foto: Divulgação)
Na ocasião, a advogada e o líder garimpeiro, esclareceram ainda, sobre a importância da elaboração de uma “Carta Aberta Dos Garimpeiros” para exigir do Governo Federal e das autoridades amazonenses maior empenho para que o garimpo ao longo do rio Madeira seja regularizado junto aos órgãos ambientais.
A cidade de Humaitá, segundo dados dos anais econômicos do Estado e do Governo Federal movimenta sua economia em mais de 67% da receita local com a produção oriunda do garimpo ao longo do rio Madeira, perdendo apenas para o agronegócio bovino, da soja e da madeira. Conta, ainda, com transferências constitucionais resulntes da divisão do bolo tributário nacional, convênios com o Estado e de recursos oriundos de emendas parlamentares.
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O município ficou conhecido, depois do “Dia da Revolta dos Garimpeiros”em 2017, com “Capital do Ouro 1.000 da Amazônia Ocidental” por produzir o metal mais próximo de 98% de teor de pureza exigido pelo mercado internacional. Além disso, o episódio dos incêndios - que resultou na prisão do ex-prefeito da cidade, Herivâneo Seixas -, nesta terça 29, os garimpeiros demonstraram grande preocupação com a continuidade das operações do IBAMA e da Polícia Federal para com o futuro da atividade garimpeira familiar.
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