Área impactada pela atividade ilegal cresceu 7% em 2023, crescimento bem menor do que em anos anteriores; garimpeiros tentam burlar fiscalizações e prejudicam acesso à saúde
O garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami sofreu forte desaceleração em 2023, mas a área afetada continuou crescendo. É o que destaca uma nota técnica produzida mês passado pelas organizações Hutukara Associação Yanomami (HAY), Associação Wanasseduume Ye’kwana (SEDUUME) e Urihi Associação Yanomami, com apoio técnico do Instituto Socioambiental e do Greenpeace Brasil.
Segundo o documento, as ações do governo federal foram “insuficientes” para resolver o problema, “especialmente depois que as forças armadas assumiram um maior protagonismo nas operações”. A área impactada cresceu 7%, bem abaixo dos 54% de aumento registrados em 2022 e dos 43% registrados em 2021.
Segundo o relatório, a área impactada pelo garimpo ultrapassou os 5400 hectares – área comparável à de municípios de médio porte, como Lauro de Freitas (BA), Balneário Camboriú (SC) ou Taboão da Serra (SP). De acordo com o documento, cerca de 70 a 80% dos garimpeiros deixaram a região no primeiro semestre do ano passado, mas retornaram após o “relaxamento das ações de repressão”, a cargo principalmente do Exército.
Veja também
.jpg)
Aquecimento global leva a dengue a países do Hemisfério Norte e Europa, dizem estudos
Norte Ambiental recebe prêmio por excelência na gestão de resíduos no Amazonas
A reativação das zonas de exploração trouxe graves consequências à saúde e ao atendimento médico aos indígenas, o que contribuiu para que, até novembro, 308 mortes de indígenas fossem registradas no território.O documento cita dados de monitoramento por satélite realizado pelo Greenpeace, que afirmam que a região mais devastada foi a do rio Couto de Magalhães, com 78 hectares “destruídos por conta do garimpo”, seguido do trecho superior do rio Macujaí, com 55 hectares devastados. Na área do rio Uraricoera, que registrou 32 hectares de destruição, a atividade garimpeira sofreu uma “enorme redução” por ter sido “um dos focos de atuação das forças federais no ano passado”.

Para burlar as ações de fiscalização, diz o documento, os invasores passaram a investir em tecnologias para comunicação, na descentralização e fragmentação dos canteiros, na reativação de canteiros distantes de grandes rios, na operação no período noturno, na reação armada e na mudança de centros de distribuição e logística para a Venezuela.
( Fotos: Reprodução)
Apesar disso, os garimpeiros recentemente sofreram um revés do outro lado da fronteira, quando uma operação do exército venezuelano desmantelou pistas clandestinas utilizadas por aviões do garimpo no município de Alto Orinoco, na fronteira com a TI Yanomami.O uso de armas de fogo por parte dos criminosos é um fator de alto risco para os indígenas, seja diretamente contra eles ou através do “fogo cruzado” em conflitos entre diferentes grupos de garimpeiros. Indígenas da região do Xitei narram a existência de um “conflito aberto” entre alguns desses grupos na região.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
Apenas no Xitei, 21 indígenas morreram baleados desde 2022 – em seguida na listagem vêm as regiões de Hakoma e Haxiu, com 5 mortes cada. O documento diz que “claramente” a região vive em “estado de guerra”. Com população de cerca de 2 mil pessoas, 1% dos habitantes do Xitei foram vítimas do conflito.
Fonte: O Eco