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Guerra na Ucrânia escancara 'incapacidade' de países da ONU, diz Lula
Foto: Reprodução

Lula fez seu oitavo discurso na ONU, nesta terça-feira (19/9), após 14 anos. Tradicionalmente, Brasil é o primeiro país a discursar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu durante discurso na 78ª edição da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (19/9), que a guerra na Ucrânia demanda “espaço para negociações”, e voltou a condenar o que classificou como excesso de investimentos em armas e pouco em desenvolvimento.


“A guerra da Ucrânia escancara nossa incapacidade coletiva de fazer prevalecer os propósitos e princípios da Carta da ONU. Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz. Mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo”, declarou o mandatário durante tradicional discurso de abertura entre os chefes de Estado presentes.

 

O pronunciamento de Lula foi acompanhado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que está em Nova York presencialmente para a assembleia pela primeira vez desde a invasão russa ao território vizinho, em fevereiro de 2022. Vladmir Putin, da Rússia, não participa do evento.

 

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Desde que assumiu o governo, o mandatário tem mantido a tradicional posição brasileira neutra no conflito – ao condenar a invasão de um país soberano, mas sem adotar um posicionamento mais duro com relação ao país liderado por Putin. Nesse sentido, Lula busca se colocar como um dos possíveis negociadores da paz, no entanto, alega que os dois lados do conflito relutam em aceitar negociar.

 

Durante o discurso desta terça, o mandatário brasileiro voltou a condenar às sanções unilaterais a Moscou, impostas por nações ocidentais como Estados Unidos e países da União Europeia em razão do conflito. “As sanções unilaterais causam grande prejuízos à população dos países afetados”, prosseguiu.


LULA FALA DE NEGOCIAÇÕES NA ONU


Lula também reiterou que “é preciso trabalhar para criar espaço para negociações. Investe-se muito em armamentos e pouco em desenvolvimento”.

 

E citou números para colaborar com a tese. “No ano passado os gastos militares somaram mais de 2 trilhões de dólares. As despesas com armas nucleares chegaram a 83 bilhões de dólares, valor vinte vezes superior ao orçamento regular da ONU“.


O petista citou ainda que a comunidade internacional está diante de dois caminhos, e ressaltou: “Estabilidade e segurança não serão alcançadas onde há exclusão social e desigualdade. A ONU nasceu para ser a casa do entendimento e do diálogo”.

 

“De um lado, está a ampliação dos conflitos, o aprofundamento das desigualdades e a erosão do Estado de Direito. Do outro, a renovação das instituições multilaterais dedicadas à promoção da paz.

 

DESIGUALDADE E PROBLEMAS GLOBAIS

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou, nesta terça-feira (19/9), na 78ª edição da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU). Tradicionalmente, o Brasil é o responsável por abrir os debates todos os anos, na agência multilateral que engloba 193 países sediada em Nova York, nos Estados Unidos.

 

Desde o início do seu discurso, Lula manteve a linha de que o Brasil estava “ausente” da geopolítica mundial, em crítica aberta à gestão de Jair Bolsonaro.

 

Como não me canso de repetir, o Brasil está de volta. Nosso país está de volta para dar a sua devida contribuição ao enfrentamento dos principais desafios globais”, apontou.

 

Como era esperado, o presidente brasileiro falou sobre o problema da Amazônia e o problema energético no mundo. “Estamos na vanguarda da transição energética. Nossa matriz já é uma das mais limpas do mundo: 87% da nossa energia elétrica proveem de fontes limpas e renováveis. É enorme o potencial do hidrogênio verde”, discursou.

 

“Retomamos uma robusta e renovada agenda amazônica, de combate aos crimes ambientais. Ao longo dos últimos 8 meses, o desmatamento na Amazônia foi reduzido em 48%. O mundo inteiro sempre falou da Amazônia. Agora, a Amazônia fala ao mundo”, continuou.

 

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Esta é a oitava vez que Lula fala no palco da ONU como presidente do Brasil, em seu retorno após 14 anos. Nas gestões anteriores, o petista só não viajou para Nova York em 2010, quando preferiu se dedicar à campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

 

Fonte: Metrópoles

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