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Há um pessimismo exagerado do mercado que contamina o Banco Central
Foto: Reprodução

Num contexto de inflação dentro da meta e juro real ainda muito alto, haveria espaço para queda da Selic

O mercado quase unanimemente está dizendo que os juros vão parar de cair, ou seja, devem se manter em 10,5% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, nesta quarta-feira. Acho que há um excesso de pessimismo no mercado financeiro. De fato, houve uma deterioração de cenário, mas os juros estão altos demais.

 

Pioraram as projeções de inflação, piorou o dólar, que subiu entre a última reunião do Copom e a desta semana, piorou a visão em relação ao ajuste fiscal, a disposição do governo de controle das contas, houve muito ruído nesse período entre as duas reuniões.

 

Mas é bom lembrar que mantida a Selic em 10,5%, com a projeção de inflação para o fim deste em 3,80%, os juros reais são de quase 7%. O que é muito alto para a situação que o país está. Nada aconteceria se os juros caíssem mais 0,25 ponto percentual, com um comunicado que alertasse pra os ricos fiscais.

 

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Se o país tivesse uma expectativa de inflação fugindo ao controle, parar o relaxamento monetário seria compreensível. Todas as previsões e oscilações, apesar da piora, se dão dentro do espaço da meta.

 

Outra coisa é que o dólar subiu, de fato, de uma cotação em torno de R$ 5,15 desde a última reunião do Copom para um pouco abaixo de R$ 5,40, no entanto, os próprios analistas justificam essa alta, em grande parte, a fatores externos, como as dúvidas sobre a condução da política monetária americana.

 

Avaliando a conjuntura, o grau de pessimismo do mercado financeiro, me parece exagerado, e contamina também o Banco Central. Há, aliás, um contagio de parte a parte.

 

A decisão na última reunião, na qual por um placar de 4 a 5, foi definido um corte menor do que era previsto, de 0,25 ponto percentual, criou uma sensação de que o Banco Central está dividido e o futuro vai ser dos que perderam a escolha porque são os indicados do presidente Lula, numa leitura de que depois que o presidente Roberto Campos Neto sair, ele está em fim de mando, o Banco Central será mais leniente com o controle da inflação.

 

No entanto, não tem nada que justifique essa avaliação, não tem nada na história das pessoas que lá votaram em favor de manter o corte em 0,50 que indique isso.

 

A divisão no Banco Central é normal. Não se pode achar que cada vez que há uma divisão que isso é uma crise. É normal, é um Banco Central autônomo e cada um tem o seu voto.

 

Na verdade, a divisão na votação do último Copom mostrou que há um problema na comunicação no BC, que anda muito errática. Afinal, a autoridade monetária havia informado na ata anterior que ia reduzir a Selic em 0,50, depois o presidente do Banco Central fez uma declaração indicando que isso não aconteceria, essa é uma comunicação que não deve acontecer.

 

Tudo isso posto, é possível que os juros não caiam, mas por esse ambiente de excesso de pessimismo que está nas expectativas. E pesquisa do "Valor" indica que essa visão deve se manter. Levantamento feito pelo jornal com 132 bancos e consultorias, apenas nove disseram que os juros vão ter uma queda de 0,25 ponto percentual na reunião desta semana. Quando olham para frente, a maioria acha que a Selic vai terminar o ano em 10,50%. Ou seja, os cortes serão interrompidos nesta quarta e não voltarão a acontecer mais este ano. Há uma minoria muito pequena, que acha que pode ter um espaço para mais dois cortes, mais para o fim do ano.

 

A questão é como a gente separa o pessimismo dos fatos? O fato é que a inflação está baixa e ela está dentro do intervalo de flutuação da meta. As previsões estão um pouco piores, por vários fatores, mas dentro do espaço de flutuação. Os juros estão muito altos, o juro real muito elevado para uma economia nessa situação.

 

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De fato a maior probabilidade é que os juros não caiam e eu acho isso um erro. Por outro lado, sem dúvida, o governo precisa afinar melhor seu discurso na área fiscal. Há muito ruído. 

 

Fonte: O Globo

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