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Haddad levará propostas reformistas de Lula a reunião de FMI e Banco Mundial, como revisão de dívidas de países
Foto: Reprodução

Encontro será realizado de 9 a 16 de outubro, no Marrocos. Ministro será o principal repfresentante do país junto com o presidente do BC, Campos Neto

Depois dos discursos proferidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vários fóruns internacionais ao longo de 2023, na tentativa de se tornar o porta-voz da agenda das nações em desenvolvimento, agora o governo brasileiro se prepara para levar uma pauta progressista para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, no Marrocos, semana que vem.

 

O Brasil terá como principal representante o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, ao lado do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, defenderá o aumento da participação dos países emergentes nos organismos multilaterais, uma posição histórica da diplomacia brasileira.

 

Haddad levará como mensagem os três pilares desenhados para a política externa do terceiro mandato de Lula: o desenvolvimento sustentável nas esferas social, ambiental e econômica; a revisão das dívidas de países em crise; e a reforma da governança mundial.

 

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São temas que serão tratados em um discurso de dez minutos que ele fará em um encontro de ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais do G20 (grupo formado pelas maiores economias do mundo), paralelamente à reunião anual do FMI e do Banco Mundial.


A reunião de Marrakesh será realizada de 9 a 16 de outubro. Porém, a previsão é que o ministro da Fazenda embarque para a cidade marroquina no dia 10, terça-feira. O encontro do G20 acontecerá nos dias 12 e 13.

 

De acordo com interlocutores do governo ouvidos pelo GLOBO, o discurso de Haddad terá um tom mais político do que técnico, com um passo à frente no processo de reposicionamento do Brasil no cenário internacional. O ministro falará como representante de um país que assumirá, oficialmente, a presidência do G20, em 1º de dezembro.

 

Na avaliação do governo brasileiro, o multilateralismo está em crise em todas as áreas. O Conselho de Segurança não apresentou soluções para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, a Organização Mundial do Comércio (OMC) está paralisada e os bancos internacionais estão na berlinda.

 

Nesse cenário, o Brasil está bem posicionado, pois não é um grande devedor e vem apresentando resultados positivos, como a queda de 48% no desmatamento da Amazônia nos oito primeiros meses do ano.

 

Além das propostas de política externa, Haddad também falará sobre a situação doméstica, como o novo Orçamento, o arcabouço fiscal, a reforma tributária e propostas em andamento no Congresso brasileiro. A mensagem é que o Brasil está colocando a casa em ordem.

 

Um integrante da área econômica disse que há uma fila de pedidos de bilaterais de autoridades estrangeiras com o titular da Fazenda brasileiro, mas a lista está sendo fechada.


Otaviano Canuto, membro sênior do Policy Center for the New South e ex-vice-presidente do FMI, destaca que, no caso do Fundo, haverá uma discussão sobre o arcabouço que foi montado para a reestruturação de dívidas de países que estão em uma situação insustentável.


Outro ponto é a renovação das cotas do FMI, para dar mais espaço aos emergentes. E, no caso do Banco Mundial, há uma reivindicação para o aumento de capital.

 

— Estados Unidos, Japão e os países europeus resistem à ideia de diminuição do peso deles — diz Canuto.

 

Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, Nelson Franco Jobim afirma que, hoje, o grande desafio é aumentar a voz e o voto dos países emergentes, especialmente os grandes, como China, Índia, Brasil e Indonésia.

 

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Ele avalia que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), é uma resposta à falta de reforma no sistema.

 

— É uma instituição-espelho do Banco Mundial. Não indica uma intenção da China de destruir o sistema, mas de exigir uma participação à altura de sua importância econômica — ressalta.

 

Os principais temas da reunião de Marrakesh são: construir resiliência econômica; promover reformas transformacionais para estimular a inclusão e a diversidade; combater o desafio existencial da mudança do clima e apoiar a digitalização; e revigorar a cooperação internacional.

 

Há alguns meses, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, defendeu acrescentar às funções do Banco Mundial o fomento da “resiliência às mudanças climáticas, às pandemias e aos conflitos como missões centrais. A instituição destina 35% de seus recursos ao clima.

 

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— O risco, do ponto de vista dos EUA e da Europa, não é apenas ter menos recursos para combater a pobreza, mas deixar um vácuo a ser preenchido pela China — afirma Jobim.

 

Fonte: O Globo

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