Ainda não há opção consensual entre grupo de trabalho para reduzir taxa que é de 431% ao ano
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu neste sábado com CEOS de bancos para falar de conjuntura, mas também foi discutido o impasse para reduzir os juros do rotativo de cartão de crédito e o que poderia mudar no parcelado sem juros.
O prazo de 90 dias dado pelo Congresso para que o grupo de trabalho que reúne bancos, maquininhas, varejo, bandeiras de cartões encontre alternativas para redução do rotativo termina em janeiro e até agora não há consenso.
Se nenhuma solução for acordada vai prevalecer a lei do Desenrola, que estabelece o teto de 100% do valor da dívida para cobrança de juros. No próximo dia 21, haverá novo encontro do grupo de trabalho, mas nos bastidores fontes ligadas aos adquirentes afirmam que a decisão da Febraban de acusar as maquininhas de praticar fraudes, nesta semana, surpreendeu — e pode impedir que se chegue a um consenso. Após a reunião, nem o ministro nem os banqueiros falaram com a imprensa.
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Participaram do encontro com Haddad Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco; Mario Leão, do Santander; Marcelo Noronha, do Bradesco; e Cristina Junqueira, do Nubank. Octavio de Lazari Junior, presidente do copresidente do conselho diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e ex-presidente do Bradesco, também participou, assim como o presidente da Federação Brasileira dos bancos (Febraban) Isaac Sidney. Os bancos são os emissores de cartões e também têm empresas de maquininhas.
Os juros do rotativo estão em 14,94% ao mês ou 431,58% ao ano, segundo dados de outubro divulgados pelo Banco Central. O parcelado sem juros representa 15% do saldo da carteira total de crédito das famílias, diz a Febraban.
No caso do parcelado sem juros, as maquininhas defendem a manutenção dessa modalidade de crédito. Os bancos também não são contra a extinção dessa modalidade de crédito, mas querem mudanças, com número de prestações mais restrito.
A Febraban afirma que não existe parcelamento sem juros e que as taxas estão embutidas nos preços dos produtos. A entidade diz que o juro do rotativo acaba subsidiando essa modalidade e que com mudanças seria possível baixar a taxa do rotativo para algo como 8% a 9%.
Uma fonte ligada às maquininhas independentes afirma que todas as operações com parcelamento sem juros ou com juros são descritas de forma transparente ao consumidor e às bandeiras de cartões, sendo que elas estão previstas no arranjo de pagamentos. A fonte explica que vendedores com margem maior conseguem fazer parcelamentos em mais prestações, enquanto outros financiam em menos vezes.
Além disso, garante, não há qualquer tipo de fraude, como acusou a Febraban esta semana. Em relação aos recebíveis (títulos de crédito antecipados pelos lojistas junto às maquininhas), diz a fonte, todas as adquirentes trabalham da mesma forma, inclusive as adquirentes que pertencem aos bancos. A fonte diz ainda que os varejistas podem diferenciar preços, por conta de prazos mais dilatados, e custos — e isso é repassado ao consumidor para que ele use o crédito da melhor forma possível.
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A Febraban diz que as maquininhas independentes cobram taxas de 60% a 100% dos lojistas, se apropriando dos ganhos dessa cadeia.
Fonte: O Globo