Leonardo Guimarães, um acadêmico da área de Justiça e Segurança Pública, andava pelo Largo do Machado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no sábado, quando viu um homem que tinha três tatuagens expostas pelo corpo: uma suástica, o símbolo máximo do nazismo, um sol negro, outra insígnia reconhecidamente nazista, e a frase “white pride” (orgulho branco), notoriamente ligada a movimentos racistas do EUA.
Guimarães então encontrou PMs que estavam no local e, depois de muito “explicar” que propagar o nazismo é crime no Brasil, o homem finalmente foi levado a uma delegacia.
Chegando na 36ª DP, em Santa Cruz, no ato do registro da ocorrência, o denunciante conta que o policial responsável por dar sequência ao BO “pediu desculpas” ao indivíduo com os símbolos nazistas e racistas.
Veja também

Carlos Bolsonaro ironiza golpe após minuta encontrada na residência de Anderson Torres
Brasil buscará cooperação internacional se investigação de ataques apontar responsáveis no exterior
No texto do registro, um trecho chega a “explicar” que a suástica é um “símbolo milenar”, fazendo menção à sua origem indiana, ainda que a marca tenha sido amplamente propagada no planeta pelos ideais genocidas nazistas de Adolf Hitler que representa. Sobre os outros dois símbolos, nada foi considerado.
Percebendo que o inspetor responsável pelo BO estaria do lado do nazista, Guimarães relatou nas redes sociais que se recusou a prestar depoimento sem a presença de seu advogado e o servidor teria se recusado a aguarda a chegada do defensor. O denunciante diz que ainda ouviu asperezas e respostas pouco educadas por parte do policial.
“O inspetor pode ter a convicção ideológica dele, é um direito. Mas ele não pode agir como militante na função de servidor público na área de segurança pública... Ele falou que se o homem quisesse tatuar uma piroca era problema dele. Eu disse que não, que a suástica está em lei que é crime, mas ele me disse que a tatuagem no braço não era propaganda”, relatou Guimarães no Twitter.
“Falei, inclusive, que essa não era uma opinião minha (em relação ao fato de o nazismo ser crime) e sim do STF. O inspetor disse que ‘se foda o STF. O STF fica legislando, não tenho nada a ver, ele (STF) não manda nessa delegacia”, seguiu contando o denunciante.
De fato, a legislação brasileira prevê a propaganda do nazismo como crime, passível de pena de cadeia de dois a cinco anos. A previsão consta na Lei Federal 9.459/97.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
Depois de algumas horas, o nazista foi liberado e Guimarães foi embora da DP sem que qualquer medida efetiva fosse tomada pelos policiais do local. Já a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou “um boletim de ocorrência para apurar prática de racismo e apologia ao crime foi aberto” e negou que qualquer um dos agentes presentes na delegacia tenha exposto opiniões pessoais na referida ocorrência, tampouco destratado o denunciante.
Fonte: Revista Fórum