Os seres humanos quase foram extintos há cerca de 1 milhão de anos e as populações permaneceram nesse patamar baixo pelos próximos 100 mil anos ou mais. É o que mostra um estudo liderado por dois pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências (CAS, da sigla em inglês) que foi publicado na renomada revista científica Science na edição de agosto.
Cerca de 900 mil anos atrás, nossos ancestrais distantes caçavam em pequenos grupos e coletavam alimentos usando ferramentas de pedra sofisticadas. Até que algo aconteceu e o número de indivíduos reprodutores diminuiu para apenas cerca de 1.300.
O novo estudo da CAS modela o tamanho das populações antigas com base em um novo método estatístico que oferece insights sobre um momento crucial para nossa linhagem e preenche algumas peças adicionais do quebra-cabeça da história evolutiva humana.
Veja também

Justiça do Trabalho decide que Uber deverá registrar motoristas
Confiança nas Forças Armadas atinge o pior nível desde 2017, diz pesquisa
Em comparação com outros primatas vivos, os seres humanos contemporâneos têm uma diversidade genética surpreendentemente baixa. Por décadas, os pesquisadores suspeitaram que isso ocorreu porque nossos ancestrais passaram por um gargalo populacional.
Os cientistas sabem aproximadamente quanto tempo leva para que mutações se acumulem em nossos genes, e, ao analisar variações genéticas entre diferentes populações, podem estimar quanto tempo atrás esses grupos divergiram. Os pesquisadores podem retroceder esse relógio molecular para investigar quando ocorreram eventos importantes que moldaram as populações.
Para explorar mais a fundo essa questão, os dois pesquisadores da CAS, Yi-Hsuan Pan e Haipeng Li, lideraram o exame de genomas humanos modernos.
Os cientistas sabem aproximadamente quanto tempo leva para que mutações se acumulem em nossos genes, e, ao analisar variações genéticas entre diferentes populações, podem estimar quanto tempo atrás esses grupos divergiram.
Os pesquisadores podem retroceder esse relógio molecular para investigar quando ocorreram eventos importantes que moldaram as populações.
Li, uma genomicista do Laboratório Chave de Biologia Computacional da CAS, estava interessada em populações que viveram há 1 milhão de anos, um período interessante na evolução humana, quando várias ramificações de nossos parentes mais próximos surgiram, uma das quais deu origem à nossa linhagem.
Li uniu forças com Pan, uma genomicista da Universidade Normal do Leste da China, e juntos eles e seus colegas desenvolveram uma nova abordagem estatística.
Para reduzir os custos de computação e diminuir os erros que ocorrem ao retroceder tanto no tempo, seu modelo utiliza apenas um subconjunto de genes - como aqueles que não foram sujeitos a forças como a seleção positiva que alteraria a taxa de mutação - para estimar o tamanho das populações em diferentes momentos.
Usando esse método, eles tabularam quando as mudanças genéticas apareceram nos genomas previamente sequenciados de 3154 indivíduos de 10 populações africanas modernas e 40 populações não africanas modernas.
O tamanho da população e sua história afetam o acúmulo dessas mudanças, e os cientistas podem analisá-las para determinar quantas pessoas viveram em diferentes momentos.
Ao analisar as linhas do tempo, Pan e Li encontraram uma queda muito acentuada - de aproximadamente 99% - na população reprodutora de nossos ancestrais há cerca de 930 mil anos atrás.
O número de casais reprodutores despencou de pelo menos 100 mil para 1280, relatam. A quantidade total de habitantes, incluindo crianças e idosos, teria sido maior.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
Os baixos números populacionais persistiram até cerca de 813 mil anos atrás, quando o número de pessoas começou a aumentar novamente, relatam os pesquisadores.
Fonte:Revista Fórum