Propostas dos candidatos para reverter uma inflação de mais de 140% não são claras
Mais de 35 milhões de argentinos vão às urnas neste domingo escolher quem vai ocupar a Casa Rosada nos próximos anos: Sergio Massa ou Javier Milei. Trata-se de uma das mais disputadas eleições argentinas de todos os tempos. Até aqui, essa eleição está empatada.
Nos últimos dias, não se pode fazer pesquisa, portanto, fica ainda maior a incerteza sobre quem vai ocupar a presidência, até porque os eleitores, às vezes, fazem mudanças importantes às vésperas das eleições. Analisei 12 pesquisas sobre o cenário das eleições na Argentina e sete davam vitória de Milei, cinco para Massa, sendo que em todos os casos na margem de erro.
O "Valor" publicou, nesta sexta-feira, dados das quatro últimas pesquisas da corrida eleitoral argentina: nos levantamentos da Atlas Intel e a CB Consultora quem ganha é Milei; já nas feitas pro Celag e Circuitos a vitória é e Massa. Mas a diferença é sempre muito pequena.
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De qualquer forma a incerteza para os argentinos não acaba quando se decidir qual será seu novo presidente. É preciso se saber o que vai ser feita na economia. O país vive uma crise gigantes com uma inflação de 142,5% ao ano.
Os temas da economia até entraram no debate, mas de uma forma tumultuada. Javier Milei, com sua motossera, faz um discurso antiestado, típico da extrema direita em todo mundo, e que vimos no Brasil com Bolsonaro. O candidato tem propostas radicais, diz que vai fechar o Banco Central e acabar com o peso argentino, dolarizando completamente a economia.
São promessas delirantes, com pouca possibilidade de cumprimento, e a gente não sabe se feliz ou infelizmente. Afinal é uma incógnita como essas propostas se manteriam em pé em um país como Argentina?
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Quando se fala de Massa, que ocupa o cargo de ministro da economia desde meados de 2022,justamente, durante o agravamento da crise argentina, a proposta econômica também não é clara. Ele diz que vai mudar o que está dando errado. No entanto, qual seria o novo rumo, a estratégia para sair desse quadro de hiperinflação? Isso ainda não foi posto à mesa.
Milei, se eleito, terá dificuldades para aprovação de suas propostas, já que tem uma bancada muito pequena no Congresso. Ele vai precisar da bancada macrista, liderada pelo ex-presidente Maurício Macri. Patrícia Bullrich, que foi candidata dessa corrente política e perdeu no primeiro turno, deu apoio a Milei, mas há divisões dentro do grupo do Macri. Aliás, de todos os lados há divisão, no peronismo não é diferente.
Os empresários querem que haja uma definição, principalmente, quem vai comandar a economia, o que ainda não se sabe.
Essa eleição também é importante para o Brasil. A Argentina é destino de 5% das exportações brasileiras, o país vizinho é o maior parceiro regional brasileiro.
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O Brasil terá que se relacionar com quem for eleito, porque essa é uma a decisão soberana do povo argentino. Mas é clara a torcida do governo por Sergio Massa, até porque Milei passou o tempo todo da campanha hostilizando o Brasil e o presidente Lula.
Fonte: O Globo