Forças Federais sempre marcaram presença em Lábrea
Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Não é de hoje que os recursos destinados à saúde indígena são disputados e controlados pelo prefeito afastado Gean Campos de Barros. Em Lábrea, a 852,1 quilômetros da Capital Manaus e a 2.874 de Brasília, o político tem se mostrado imune às recomendações do Governo para que os seus imóveis sejam vistoriados.
Segundo o movimento indígena, “Gean de Barros tem mantido contratos milionários com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), no Amazonas, com apoio de parte da bancada federal no Congresso para seguir a diante com seus prédios alugados de sua propriedade em todos os municípios da mesorregião amazonense do Purus”.
“Foi assim nos governos de Michel Temer (MDB), Jair Bolsonaro (PL-PL) e continua no Governo Lula (PT)”, é o que afirmam lideranças indígenas Paumari, Apurinã, Karipuna e Jamamadi para quem, “as denúncias de irregularidades nos contratos e o estado deplorável dos imóveis na gestão do DSEI (Distrito de Saúde Especial Indígena) vem sendo varridas para debaixo do tapete do Governo pelo coordenador, Cícero Apurinã”.
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- Tudo não passa de clara proteção dos aluguéis milionários e interesses pessoais em detrimento da população indígenas do Médio Purus e de aldeias do entorno que continua com a saúde em perigo, atestam lideranças indígenas de Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canutama, Tapauá e Beruri.
Gean de Barros – que também é acusado de explorar madeiras e criar gado bovino em parte dos territórios indígenas no entorno de suas propriedades e do sogro conhecido como Gadelha - é o dono dos imóveis localizados na Estrada do Aeroporto e de um hotel, em Lábrea, onde funciona a “Casa de Saúde Indígena” (Casai) e a Coordenação do DSEI. Segundo dirigentes da FOCIMP demitidos, “em média os alugueis giram em torno de R$ 100 mil”.

O antigo Hotel Lábrea (prédio esquerdo) dará lugar a sede do DSEI-Purus
O local onde funciona a Casai servia de galpão para armazenar borracha, cernambi, breu branco, castanha e essências naturais (Copaíba, Andiroba e produtos agropecuários). Hoje deu lugar à Casa de Saúde Indígena, tendo sido dividido em vãos sem divisórias. Sem divisórias, pacientes são atendidos em redes espalhadas pelo ambiente por falta de mobiliário adequado como determinam as normas do Ministério da Saúde (MS) e dos Povos Indígenas.
HISTÓRICO NEPOTISTA
Ainda na gestão do bolsonarista Carlos Galvão (PL), Gean de Barros já tentava alugar ao antigo Hotel Lábrea. No Governo Lula ele enfrentou barreiras por conta do estado precário do imóvel. Uma comissão de inspetores da Funai e DSEI de Manaus, “não deu sinal verde para fechar o novo contrato”. Mas, o prefeito conseguiu demover Cícero Apurinã que, agora, “recomendou o aluguel”, informam dirigentes da FOCIMP.
Com histórico de supostos desmandos dede que assumiu a coordenação do DSEI para o Médio Purus, Cícero Apurinã, enfrenta agora sérias denúncias de favorecimento de fornecedores indicados pelo prefeito para aquisição de alimentos (o marmitex custa R$ 40 a pacientes da Casai), remédios, combustíveis, contratações de familiares, além de demissões de servidores habilitados nas áreas de transporte de ambulanchas, veículos e manutenção de serviços nas aldeias, colocando seus indicados sob forte ameaça e hostilidades.
Documentos, nesse sentido, segundo entidades representativas do Movimento Indígena acreditado no Médio Purus e da Capital Manaus, já teriam sido encaminhados aos ministérios dos Povos Indígenas, a Funai e à Casa Civil da Presidência da República, em Brasília, para a tomada de procedimentos a fim de que o Governo destaque à Lábrea inspetores desses ministérios para apuração de todas as supostas irregularidades registradas na gestão de Cícero Apurinã.
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De acordo com interlocutores indígenas, “a intenção é provocarmos a intervenção do Ministério Público Federal (MPF-AM) para, em conjunto com o Governo Federal, a Controladoria Geral da União (CGU-DF), Tribunal de Contas da União (TCU), Advocacia Geral da União (AGU) e a Polícia Federal (PF-AM), “apure os fatos e metam na cadeia os acusados no campo judicial e extrajudicial envolvidos nas denúncias a serem remetidas aos órgãos de controle no âmbito federal”, arremataram eles.
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