Incertezas continuam mesmo após novo pacote para estimular economia
A desaceleração na economia da China se intensificou em setembro. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,4% em relação ao ano passado, mas o aumento foi impulsionado apenas por um salto nos preços de vegetais frescos.
O patamar ficou abaixo do esperado por economistas, segundo o "The Wall Street Journal". Já o a inflação do produtor caiu 2,8% no mesmo período, ligeiramente acima da queda de 2,6% prevista pelos economistas.
A inflação básica do país, que desconsidera a variação nos preços dos alimentos e da energia, subiu 0,1% em setembro, no menor patamar desde fevereiro de 2021, enquanto a inflação do produtor caiu pelo 24º mês consecutivo. Os dados foram divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas neste domingo.
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A inflação geral dos alimentos subiu 3,3% em setembro em relação ao ano passado, enquanto o custo dos vegetais frescos disparou 22,9% após um aumento de 21,8% em agosto, elevando a inflação em 0,48 ponto percentual. O clima adverso e a demanda sazonal antes de uma semana de feriado na China provavelmente elevaram os preços de frutas e vegetais.
Os números destacam a fraqueza da demanda interna antes de setembro, quando uma série de políticas foram implementadas para reanimar a economia chinesa.
PACOTE DE MEDIDAS
O gigante asiático enfrenta o período mais longo de deflação desde a década de 1990, com uma medida ampla dos preços em toda a economia caindo por cinco trimestres consecutivos até junho — um período que provavelmente continuou em setembro.
Pequim cortou as taxas de juros e aumentou o apoio aos mercados imobiliário e de ações desde o final de setembro. No sábado, o Ministério das Finanças prometeu ajuda aos governos locais endividados, oferta de subsídios a pessoas de baixa renda, apoio ao mercado imobiliário e reposição do capital dos bancos estatais.
“A inflação geral ainda está significativamente abaixo da meta política e a demanda continua fraca”, disse Bruce Pang, economista-chefe para a Grande China da companhia de mercado imobiliário Jones Lang LaSalle Inc. “Com a implementação eficaz das políticas existentes e o lançamento de novas medidas, espera-se que a confiança e as expectativas de consumidores e produtores sejam efetivamente impulsionadas, com a demanda do mercado se recuperando gradualmente.”
O consumo fraco e um rápido aumento na produção levaram a intensas guerras de preços em setores como veículos elétricos e energia solar. Os preços de chamadas instalações de transporte, incluindo automóveis, caíram 5,3%, enquanto os fabricantes de automóveis viram seus preços de venda diminuírem 2,3%.
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Preços em queda são um sinal ruim para a economia. A deflação pode levar a um círculo vicioso ao reduzir o consumo e o investimento, o que, por sua vez, resulta em um crescimento econômico mais fraco e maior desemprego.
Fonte: O Globo