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Influenciador do Piauí vendia rifas para lavar o dinheiro do tráfico, afirma polícia
Foto: Reprodução

A casa própria por menos de R$ 1. Foi com propostas assim que um influenciador digital fez fortuna. Ele oferecia rifas bem baratas para prêmios muito caros. Mas a polícia suspeita que esses sorteios seriam uma fachada para lavar dinheiro de uma organização criminosa.

 

“Essa rifa é um jogo de azar, uma contravenção penal. Ela não segue os critérios e padrões para uma rifa que pode ser auditada, que pode ser supervisionada, que você pode comprovar que realmente ela está acontecendo de uma maneira regular”, afirma Humberto Mácola, delegado-titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Piauí.

 

O criador das rifas era o ex-motoboy Itallo Bruno, de 24 anos. Na quinta-feira (11), ele foi preso em Teresina, em um dos imóveis que, segundo a investigação, seriam dele: um apartamento em um bairro nobre da capital.

 

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Até há mais ou menos um ano e meio, Itallo ainda fazia entregas. Ele começou a ganhar fama e fortuna com vídeos na internet. Aparecia em manobras radicais com motos e promovia a venda de rifas baratas. Os investigadores dizem que, apenas nos últimos seis meses, ele movimentou R$ 5 milhões, gastos principalmente com luxo e ostentação.

 

 

A casa no condomínio de luxo, comprada há três meses, custou R$ 1 milhão. A polícia diz que Itallo pagou R$ 400 mil em dinheiro vivo e fez dois PIX de R$ 300 mil.

 

“Em quase um ano, conseguiu levantar esse patrimônio apenas com rifas de lote de R$ 0,20. Isso é muito estranho”, diz o delegado Humberto Mácola.

 

 

O Fantástico encontrou um dos ganhadores da rifa. João Alberto foi sorteado em abril de 2023: seis motos de uma vez só, avaliadas em R$ 100 mil. Mas, na hora de pagar o prêmio, Itallo ofereceu apenas uma moto e um valor em dinheiro. Ele ficou com as outras cinco motos para fazer outras rifas. A investigação descobriu que essa era uma prática comum: pagar um prêmio menor do que o prometido.

 

Agora, a polícia quer saber se outros ganhadores receberam realmente os prêmios e desconfia que Itallo Bruno tenha ido muito além de fazer milhões com números de rifas vendidos por centavos: a suspeita é que ele também tenha usado o esquema para lavar dinheiro de uma facção criminosa que atua no tráfico de drogas.

 

 

“A gente identificou algumas transações para pessoas ligadas a essa facção. A gente já consegue afirmar que o dinheiro ia para alguns membros dessa facção criminosa”, diz Alisson Macedo, delegado-adjunto da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Piauí.
A polícia afirma que um dos chefes dessa facção que atua nos estados do Piauí e do Maranhão é Paulo Henrique de Moura, conhecido como Pom-Pom, e que trocas de mensagens mostram a relação entre ele e Itallo.

 

A polícia também descobriu que alguns apostadores compravam milhares de números das rifas. Por isso, investiga se eles tinham relação com a facção e se essa seria mais uma das estratégias para esquentar dinheiro de criminosos.

 

Fotos: Reprodução

 

Itallo Bruno segue preso e vai responder por prática de jogos de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas somadas podem chegar a 18 anos de prisão.

 

A defesa dele afirma que Itallo não participa facções criminosas e nem lava dinheiro.

 

O Ministério Público do Piauí foi contra a prisão e afirma que ainda falta comprovar a participação dele em organização criminosa.

 

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Já os advogados de Paulo Henrique de Moura dizem que ele não tem qualquer relação com a investigação sobre Itallo Bruno e não é integrante de facção criminosa.

 

Fonte: G1

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