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Inspeção do MP identificou risco de deslizamento na Vila Sahy em 2020 e apontou crescimento na ocupação irregular do local
Foto: Reprodução

Uma inspeção do Ministério Público Estadual feita em novembro de 2020 identificou obras e áreas com risco de deslizamento na Vila Sahy, em São Sebastião (litoral norte de São Paulo), local onde famílias morreram soterradas no último final de semana --após um trecho da Serra do Mar ceder em razão do temporal.

 

Balanço da Defesa Civil aponta 48 mortes (47 em São Sebastião e uma em Ubatuba) após as chuvas no litoral norte. É na Vila Sahy que estão a maior parte das vítimas: ao menos 34, segundo a Defesa Civil.

 

Há ainda desaparecidos; equipes de resgate atuam para buscar sobreviventes.

 

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A inspeção, em 11 de novembro de 2020, avalia um plano da Prefeitura de São Sebastião para urbanizar e legalizar a situação dos imóveis no local --a ocupação ali começou em 1987. O Ministério Público entrou com uma ação na Justiça contra a prefeitura para cobrar providências. A inspeção resultou em um relatório, concluído em fevereiro de 2021 e obtido pelo g1.

 

Na visita à Vila Sahy, os técnicos constataram, por exemplo:

 

Uma casa "invadindo a encosta do Serra do Mar e degradando a mata, e desestabilizando o terreno, criando condições de risco de deslizamento"
Pedaços de terra despejados sobre a mata para formação de lotes. "Com a retirada de blocos rochosos, o terreno fica mais suscetível à movimentação do terreno";


Movimento de solo em razão de desmatamento


A colocação de sacas com terra e areia para conter erosão e princípio de escorregamento


Placa de vende-se em terreno na Serra do Mar, em área coberta por mata, o que aponta a comercialização de terrenos no local em uma área já restrita


Sobre o avanço da ocupação, o relatório diz:

 

"Na ocasião da vistoria, foram identificados lotes recém demarcados no trecho norte do núcleo, com indício de início de construção – com isto denota-se que o núcleo ainda se mostra em expansão", diz o relatório, concluído em 8 de fevereiro de 2021.


Até 2018, havia 648 imóveis e 779 famílias na região, segundo dados da prefeitura. O Ministério Público cobrou uma atualização desse levantamento.

 

A Vila Sahy é uma área, em tese, "congelada", isto é, em que são proibidas novas ocupações. O congelamento ocorreu em 2009, quando a Prefeitura de São Sebastião assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Públic

o.

Na ocasião, a prefeitura se comprometeu a regularizar a área em um prazo de dois anos, o que não aconteceu. Em março de 2021, então, o Ministério Público entrou com uma ação civil pública para exigir a intervenção no local --o que inclui ligação oficial de água, luz, urbanização e liberação das áreas de risco.

 

A prefeitura argumenta à Justiça que tem 102 áreas para regularizar em toda São Sebastião, e que não há recursos suficientes para fazer tudo o que é preciso. O prazo atual que a prefeitura estabelece para resolver a situação no local é 2025, o que a Promotoria considera insuficiente.

 

Uma decisão da Justiça em 2022 determinou que a prefeitura apresente prazos para estudos atualizados sobre o local e para a contratação de serviços de urbanização.

 

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O g1 procurou a Prefeitura de São Sebastião e aguarda um posicionamento.

 

Fonte: G1

 

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