Casa incendiada na Comunidade São João do Tupé
Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Sob a suposta omissão de chefes de Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), moradores e indígenas da beira dos rios Madeira, Purus e Rio Negro denunciam que “atualmente, as invasões passaram a ser feitas com metralhadoras, escopetas, pistolas e facões”.
As ameaças, segundo relatado ao “PORTAL DO ZACARIAS”, mais do que dobraram a partir dos anos 2016, 2019-22 e se intensificam a cada dia enquanto as autoridades continuam inertes”.
Situação semelhante ocorre com ondas de incêndios em pequenas propriedades ao longo da bacia do Rio Negro, na Grande Manaus. São visíveis as ações de quadrilhas conhecidas como “barrigas d’água”. Esses bandos causam tensão e medo nos moradores (principalmente, os da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé e áreas de proteção das praias da Lua, Comunidade Acural (antigo ramal do Abelha) e Morada do Sol.
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Um dos suspeitos de comandar invasões na Comunidade São João do Tupé foi identificado pelos moradores como sendo o garageiro, Luiz Ferreira dos Santos, tido até agora como o principal suspeito das ações criminosas na região da Bacia do Rio Negro. O acusado é um suposto dono de um dique no Porto do Marina Tauá, na região ribeirinha da Capital Manaus.
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Luiz Ferreira dos Santis faz aparição na véspera
do incêndio saindo do Marina Tauá
Clique aqui e veja o Boletim de Ocorrência.
Moradores que tiveram seus imóveis, plantações e parte da floresta incendiados pediram abertura de inquérito policial na 19ª Delegacia Interativa de Policia Civil (19ª DIP), e na Delegacia Especializada em Crimes Ambientais (Dema) para que apure danos ao meio ambiente e faça os procedimentos cabíveis, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais
No rol de denúncias sobre o avanço da grilagem em terras da União e, especificamente, em águas de Marinha e de proteção ambiental ao longo das bacias dos rios Madeira, Purus e Rio Negro, mais que dobraram nas últimas décadas sem que o Estado e a União tenham contido invasores e a especulação imobiliária - já considerada avassaladora para os padrões do Estado amazonense.
OS BANDOS
Moradores das áreas de beira do Rio Negro, também, se sentem incomodados com o aumento de documentos passados por Cartórios Imobiliários e da Justiça da Capital, segundo eles, “habilitando pessoas que nunca estiveram em nossa região, por séculos”.
Presidentes de associações e entidades representativas que atuam no arco das invasões e desmatamentos causados por invasores e loteamentos, acreditam que, por trás desses novos proprietários, “haveria dedos de servidores do Incra e do Estado”, já que a maioria aparece na região munido de mapas, coordenadas geográficas com pedido de averbação de contratos de compra e vendas, além de pedido de declarações de posse tramitando nesses órgãos”.
Num rápido giro pela região da bacia do Rio Negro em semanas sucessivas, a Reportagem identificou supostos criminosos usando tornozeleiras eletrônicas. Segundo moradores, “eles partem do bairro Cidade das Luzes e entorno da Compensa, São Pedro e Tarumã-Mirim”.
A estratégia, revelam moradores, “é causar medo e tensão entre às famílias”.
- E fica por isso mesmo, acrescentaram em claro desagrado com a inércia das autoridades.
O “PORTAL DO ZACARIAS” em buscas em cartórios das Delegacias Especializada em Crimes Ambientais (Dema), da 19ª Delegacia Interativa de Polícia Civil (19ª DIP-Manaus), salas de Atendimento ao Cidadão do Incra, Ministério Público Federal (MPF), Promotorias Públicas (Capital e interior do Estado) e Centros de Defesa dos Direitos Humanos, “as invasões são registradas, só que as investigações não avançam e levariam anos para ocorrer as inspeções in loco”.
Foi o que afirmou um advogado sob segredo da identidade ao longo do curso de ações em tramitação em delegacias de Polícia, órgãos de controle (agrário e ambiental), Defensorias do Estado e da União. Segundo o interlocutor, “as autoridades parecem temer ir nos locais para, realmente, se inteirar da situação”.
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Com isso, ele entende que os órgãos que deveriam fazer esse papel, o de proteção do patrimônio do Estado e da União, e assegurar o direito de manutenção da posse aos povos originários e tradicionais, ao contrário, “sobrecarregam, sobremaneira, os cidadãos, a maioria de não escolarizados, a produzirem provas que os convençam a atuar, quando esse papel é do Estado e da União, em si”.