NOTÍCIAS
Internacional
Irã executa anglo-iraniano acusado de espionagem e enfrenta condenação do Reino Unido
Foto: Reprodução

Alireza Akbari tinha 61 anos, era um veterano da guerra Irã-Iraque e ocupou postos de alto escalão do Ministério da Defesa iraniano.

O Irã executou por enforcamento, neste sábado (14), um anglo-iraniano que tinha sido condenado à morte há três dias, acusado de espionagem para os serviços de inteligência do Reino Unido. Alireza Akbari tinha 61 anos, era um veterano da guerra Irã-Iraque e ocupou postos de alto escalão do Ministério da Defesa iraniano.

 

Apesar dos protestos de Londres nos últimos dias, Alireza Akbari teve a pena capital executada. Em uma mensagem no Twitter, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, denunciou uma condenação "insensível e covarde", acrescentando que seus pensamentos estavam com "os amigos e a família de Alireza".

 

O chefe da diplomacia britânica, James Cleverly, acusou o Irã de cometer "um ato politicamente motivado por um regime bárbaro, que tem total menosprezo pela vida humana". É um "ato bárbaro" que "não ficará sem resposta", disse o ministro das Relações Exteriores britânico. Londres vai "convocar o encarregado de negócios iraniano para expressar nossa repulsa", acrescentou Cleverly.

 

Veja também

 

Ucrânia acusa Rússia de bombardear infraestruturas importantes em Kiev

 

Rússia diz que Belarus pode entrar em conflito com Ucrânia se for invadida

A Justiça iraniana acusou Akbari de ter sido um "espião-chave" para o Serviço de Inteligência Secreta (SIS) da Grã-Bretanha, também conhecido como MI6, e justificou a sentença pela "importância da posição" que ele ocupava.

 

A ONG Anistia Internacional denunciou "um ato abominável" por parte de Teerã, "contrário ao direito à vida". A entidade de defesa dos direitos humanos solicitou ao governo britânico uma investigação completa sobre as alegações de tortura contra ele.

 

As relações entre Teerã e Londres têm sido tensas nos últimos anos devido à prisão de vários cidadãos de dupla nacionalidade.

 

Akbari foi enforcado poucas horas depois que os Estados Unidos se uniram ao aliado britânico para pedir ao Irã que não levasse a cabo a condenação.

 

A França demonstra séria preocupação com sete franceses que têm a dupla cidadania iraniana e se encontram atualmente presos no Irã, alguns acusados de espionagem.

 

Confissão sob coersão O diplomata americano Vedant Patel disse na sexta-feira (13) que o governo dos EUA tinha ficado "profundamente preocupado" com as informações de que Akbari tinha sido "drogado, torturado sob custódia policial, interrogado por 'milhares de horas' e coagido a fazer falsas confissões".

 

Segundo veículos oficiais do Irã, que não reconhece a dupla nacionalidade para seus cidadãos, Akbari ocupou cargos no alto escalão do aparato de segurança e defesa do país. Ex-combatente na guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), ele foi vice-ministro da Defesa para Relações Exteriores, chefe de uma unidade em um centro de pesquisa ministerial e assessor do comandante da Marinha, afirmou a agência oficial Irna, sem especificar as datas.

 

Em fevereiro de 2019, o jornal oficial do governo iraniano havia publicado uma entrevista com Akbari apresentando-o como "ex-vice-ministro da Defesa" sob a presidência de Mohammad Khatami (1997-2005). O ministro titular na época era Ali Shamkhani, atualmente Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

 

"Milhões de dólares"Akbari esteve preso entre março de 2019 e março de 2020, de acordo com a agência Irna, enquanto outro veículo estatal, a agência Mizan Online, afirmou que ele recebeu mais de US$ 2 milhões por seus serviços. A mídia iraniana divulgou um vídeo no qual Akbari conta que tinha sido abordado pelo MI6, que entre outras coisas o questionou sobre o físico nuclear Mohsen Fakhrizadeh. O físico foi assassinado perto de Teerã em 2020, em um ataque atribuído pelo Irã a Israel.

 

O Irã anuncia com frequência a prisão de agentes suspeitos de trabalhar para serviços de inteligência estrangeiros. No início de dezembro, Teerã executou quatro pessoas acusadas de cooperar com Israel.

 

O enforcamento de Akbari acontece em um contexto tenso no país. O Irã reprime desde setembro uma onda de protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, uma mulher curda-iraniana de 22 anos. A jovem morreu em condições suspeitas depois de ser detida e levada para uma delegacia por estar andando em público, nas ruas de Teerã, com o véu muçulmano mal ajustado na cabeça. O porte correto dessa peça é uma das exigências do rígido código de conduta imposto às mulheres pela República Islâmica.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram

 

Em quase quatro meses de revolta popular, centenas de iranianos foram presos sob a acusação de participarem de protestos proibidos pelas autoridades. Dezoito manifestantes, entre eles jovens estudantes, já foram condenados a sentenças de morte. Quatro homens já foram executados, provocando indignação na comunidade internacional. 

 

Fonte: G1

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.