Escalada de tensão na região é a mais grave desde o fim da Segunda Intifada, em 2005
Israel fez, nesta sexta-feira, uma nova incursão militar no norte da Cisjordânia e matou dois integrantes de um grupo armado palestino em Nablus. A tensão na região escalou rapidamente nas últimas semanas, com Israel efetuando os piores ataques nesse território ocupado palestino em quase duas décadas. A operação militar em Jenin — que começou na segunda-feira e contou com bombardeios aéreos e deslocamento de centenas de soldados por terra — durou dois dias e resultou na morte de 12 palestinos.
O Ministério palestino da Saúde declarou, em comunicado, que além dos dois mortos — identificados como Khairi Shaheen, de 34 anos, e Hamza Maqbul, de 32 anos — outras três pessoas ficaram feridas. Segundo a Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP) os mortos faziam parte do grupo e participaram de um ataque contra israelenses, ao sul de Nablus, na quarta-feira.
O Exército israelense declarou ter feito o que chamou de "uma operação antiterrorista conjunta" em Nablus com o Shin Beth (segurança interna) e a polícia de fronteira, para prender os dois militantes da PFLP. Ambos eram suspeitos de um ataque a tiros contra um veículo policial, na quarta-feira. "Os dois terroristas morreram num tiroteio" com as forças de segurança, acrescentaram as Forças Armadas em comunicado.
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Um soldado israelense foi morto na quinta-feira em um ataque palestino no norte da Cisjordânia, ocupado por Israel desde 1967. O grupo palestino Hamas — que controla o outro território palestino, na Faixa de Gaza — assumiu a responsabilidade pelo ataque e disse que foi uma resposta à incursão militar israelense em Jenin. Desde o início do ano, a violência associada ao conflito na região pelo menos, 192 palestinos mortos, além de 27 israelenses, um ucraniano e um italiano, segundo um balanço da AFP a partir de fontes oficiais.
MAIOR TENSÃO EM DUAS DÉCADAS
Os bombardeios aéreos que ocorreram esta semana na operação em Jenin não aconteciam em grande escala desde o fim da Segunda Intifada, em 2005. No último dia 19, Israel disparou mísseis de um helicóptero, em uma ação que deixou cinco mortos. Semanas antes, as Forças Armadas de Israel anunciaram ter atacado com drone um carro em que viajavam três integrantes do que chamou de "célula terrorista".
Cerca de 3 mil palestinos tiveram que deixaram os abrigos no acampamento de refugiados em Jenin, na segunda. Há duas semanas, a ONU alertou para o risco da violência na Cisjordânia ocupada sair do controle.
"As mortes recentes e a violência, ao lado da retórica incendiária, servem apenas para levar israelenses e palestinos a um abismo mais profundo", afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk. "Israel tem que revisar de maneira urgente suas políticas e ações na Cisjordânia ocupada de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos, incluindo a proteção e o respeito do direito à vida", disse o alto comissário. (Com AFP)
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Fonte: O Globo