Ele também foi ministro da Economia entre 1981 e 1984, sob o mandato do presidente socialista François Mitterrand
Jacques Delors, um francês da classe trabalhadora que chegou ao cargo mais alto da Europa e foi a força motriz por trás do mercado único europeu e do euro, faleceu nesta quarta-feira em sua casa, em Paris, aos 98 anos.
A informação foi divulgada primeiro pela agência de notícias France-Presse, citando sua filha, Martine Aubry. Posteriormente, o Instituto Jacques Delors, grupo de reflexão fundado por ele em 1996, confirmou sua morte.
O político foi o "arquiteto inesgotável da nossa Europa", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, na rede social X, antigo Twitter.
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Ministro da Economia entre 1981 e 1984, sob o mandato do presidente socialista François Mitterrand, Delors frustrou as esperanças da esquerda francesa ao se recusar a concorrer às eleições presidenciais em 1995, apesar de ser o favorito nas pesquisas.
Como presidente da Comissão Europeia de 1985 a 1995, Delors ajudou a construir o mercado único sem fronteiras, abriu o caminho para a moeda comum e supervisionou a expansão da União Europeia de 10 para 15 países.
"O grau em que ele personificou a 'Europa' ficou evidente em como a imprensa mundial se referia a ele: 'Senhor Europa', 'Czar da Europa', etc.", escreveu a biógrafa Helen Drake em "Jacques Delors - Perspectives on a European Leader" (Jacques Delors - Perspectivas sobre um Líder Europeu, em tradução literal).
Ele "foi um visionário que tornou nossa Europa mais forte", disse Ursula von der Leyen, a atual presidente da comissão, em comunicado. "O trabalho de sua vida é uma União Europeia unida, dinâmica e próspera. Ele moldou gerações inteiras de europeus, inclusive a minha."
Embora tenha dotado a UE de símbolos de Estado, como uma bandeira e um hino, Delors fez menos progressos em relação à sua ambição de construir uma Europa administrada por um governo federal para igualar o peso econômico do bloco.
O impulso de uma maior integração europeia, entretanto, encontrou resistência em alguns dos países-membros, sobretudo por parte do Reino Unido da primeira-ministra Margaret Thatcher, do Partido Conservador.
Thatcher apoiou a decisão de 1986 de criar um mercado único, mas se opôs aos planos posteriores de Delors para mais legislação social e uma moeda comum. Ela ridicularizou o último o qual classificou de "insanidade".
O voto britânico em junho de 2016 para deixar a UE abalou as bases do trabalho de sua vida. Em setembro daquele ano, em artigo no jornal Le Monde, Delors disse que o resultado foi o mais recente de uma série de crises que atingiram a UE e que deveria servir como um alerta contra o nacionalismo e o populismo.
Em entrevista ao jornal alemão Handlesblatt em dezembro de 2012, Delors já havia dito que o Reino Unido estava interessado apenas em seus próprios interesses econômicos e sugeriu que o país deveria deixar a UE.
Londres deixou a UE em 2020. Em março do mesmo ano, Delors instou os chefes de Estado e de governo dos Estados-membros do bloco a serem mais solidários no enfrentamento conjunto da pandemia de Covid-19.
Até seus últimos dias, Delors defendeu o fortalecimento do federalismo europeu e pediu mais "ousadia" como resposta à saída do Reino Unido da UE e aos ataques de "populistas de todo tipo".
Décimo primeiro presidente da comissão sediada em Bruxelas, Delors era mais poderoso do que seus antecessores, em parte devido ao patrocínio do chanceler alemão Helmut Kohl e do presidente francês François Mitterrand, grupo dominante da UE na época.
Delors ficou intimamente associado ao euro quando, em 1989, chefiou um comitê que emitiu um relatório pedindo uma moeda única como a pedra angular do mercado sem barreiras. O mercado interno tornou-se realidade em 1993.
Apesar das objeções britânicas, o "Relatório Delors" levou às negociações de 1991 em Maastricht, na Holanda, que definiram o plano para o euro e o Banco Central Europeu. A Grã-Bretanha optou por não participar do processo.
Quando entrou em vigor em 1993, o Tratado de Maastricht criou formalmente a UE, embora não tenha ido tão longe quanto Delors queria em direção a um estado federal europeu com a comissão no papel da Casa Branca.
O fim da Guerra Fria traria os países do leste europeu para a UE, ampliando o que antes era um clube exclusivo do Ocidente.
Reconduzido ao cargo em 1988 e novamente em 1992, Delors tornou-se um para-raios de críticas aos grandes projetos europeus. Econômica e politicamente, a Europa passou por uma fase difícil nos últimos anos de Delors em Bruxelas. A Dinamarca vetou e a França chegou perto de vetar o Tratado de Maastricht, em um cenário de recessão em todo o continente após a unificação alemã.
Jacques Lucien Jean Delors nasceu em 20 de julho de 1925 em uma família da classe trabalhadora de Paris. Ele conseguiu seu primeiro emprego aos 19 anos, seguindo seu pai em um cargo de escriturário no banco central francês após a libertação de Paris durante a Segunda Guerra Mundial.
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Enquanto trabalhava no Banque de France, Delors se formou em economia na Sorbonne e entrou para o movimento sindical cristão. Dois objetivos - estabilidade econômica e progresso social - formariam seu credo político.
Fonte: O Globo