Alan Marques de Oliveira está preso há três anos. Ele foi absolvido do assassinato do jornalista e pré-candidato a vereador Leonardo Soriano Pereira Pinheiro, o Léo Pinheiro.
Na madrugada desta quarta-feira, policial militar Alan Marques de Oliveira, preso há três anos, foi absolvido da acusação de assassinar o jornalista e pré-candidato a vereador Leonardo Soriano Pereira Pinheiro, o Léo Pinheiro.
Ele foi executado a tiros em 13 de maio de 2020, em Araruama, na Região dos Lagos. O julgamento do PM durou cerca de 12 horas e aconteceu no Tribunal do Júri de Niterói. Durante o jurí, os advogados Patrick Berriel e Filipi Roulien, que defenderam Alan Marques, argumentaram que a investigação do caso foi mal conduzida pela polícia. O Ministério Público recorreu da decisão.
Segundo a defesa do PM, "Marques foi vítima de um imediatismo por parte da Polícia Civil, onde a vontade de encontrar um culpado foi maior do que o desejo de justiça".
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Na época, as investigações apontaram que Pinheiro foi morto porque sua pré-candidatura ameaçava a eleição da mulher do PM, a cirurgiã-dentista Elisabete Faria Abreu, já que ambos tinham os mesmos bairros como redutos.
De acordo com o depoimento de uma testemunha à 118ª DP (Araruama), antes de ser morto, Pinheiro recebeu ameaças de traficantes da área que alegaram que "apenas um pré-candidato poderia atuar no bairro, e o candidato chegado deles seria o Alan Marques".
Pinheiro, que era filiado no partido Patriota e mantinha a página "A Voz Araruamense" nas redes sociais, conquistou popularidade com o projeto social "Casa da Família", no bairro de Bananeiras, onde morava o PM. O imóvel era uma espécie de centro social, em que eram feitos eventos para a comunidade, como distribuição de alimentos. Testemunhas afirmaram à polícia que a casa havia sido cedida a Pinheiro por traficantes. Em fevereiro de 2020, os criminosos determinaram que o pré-candidato devolvesse as chaves do imóvel e deixasse o local, argumentando que o candidato que poderia atuar no bairro era aquele apoiado pelo sargento Marques. Outra testemunha relatou à polícia que a chave da "Casa da Família" foi entregue ao PM após ser devolvida por Pinheiro.
Uma testemunha contou, na época, que presenciou o momento em que o PM Marques, lotado no 35º BPM (Itaboraí), chama Cleisener Vinicio Brito Guimarães, o Kekei para "matar alguém". Na ocasião, a testemunha diz ter visto que os dois estavam "em uma Fiat Palio Modelo Pit Bull, 4 portas, cor preta, sendo que ambos saíram com roupas camufladas, toucas ninja e fitas adesivas para alterar a placa do veículo".
A descrição bate com o veículo usado no crime e os trajes do atirador, descritos por testemunhas oculares. O homem ainda narrou que, ao retornarem da execução, o PM e seu cúmplice deram detalhes sobre a dinâmica do crime: "mandaram a vítima se ajoelhar e efetuaram três tiros na cabeça dela".
No dia do crime, Léo Pinheiro fazia uma entrevista no bairro Parati para a página que mantinha na internet quando Marques e Guimarães chegaram ao local. Kekei saltou do veículo, obrigou que o repórter ajoelhasse e o executou. Em seguida a dupla fugiu.
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Alan Marques tentou se eleger vereador pelo PSD, em 2016, mas conseguiu apenas 787 votos. Dois anos depois, o PM se candidatou a deputado estadual. Desta vez pelo Avante, Alan obteve apenas 2.399 votos e também não se elegeu.
Fonte: O Globo