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Justiça mantém prisão de pai e filha em caso de agressão a médica em hospital de Irajá
Foto: Reprodução

André Luiz do Nascimento Soares e Samara Kiffini do Nascimento Soares reclamaram do tempo de atendimento e então quebraram objetos do hospital e deram socos e pontapés na platonista Sandra Lúcia Bouyer Rodrigues

André Luiz do Nascimento Soares, de 46 anos, e sua filha Samara Kiffini do Nascimento Soares, de 23, que protagonizaram uma cena de violência no último fim de semana no Hospital municipal Francisco da Silva Telles (HMFST), em Irajá, na Zona Norte do Rio, vão continuar presos. Os dois passaram por audiência de custódia no início da tarde desta terça-feira e a Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Eles estiveram na unidade em busca de atendimento médico quando, por conta do tempo de demora, agrediram a única médica no plantão da madrugada, Sandra Lúcia Bouyer Rodrigues, que foi ferida com socos e pontapés. André tinha um corte no dedo.

 

CINCO CRIMES

 

André Luiz e sua filha Samara foram presos em flagrante. Antes de a médica ser agredida, os dois invadiram a área de pacientes graves, quebraram vidros, cadeiras e deixaram um rastro de destruição por onde passaram. Eles foram autuados por homicídio doloso, lesão corporal, dano ao patrimônio e desacato. Samara também foi acusada de coação por ameaçar a médica de morte. O advogado Cláudio Rodrigues, que defende os acusados, disse que autuar por homicídio é “forçoso demais”.

 

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Sandra Lúcia contou que o homem estava descontrolado. Sem alternativa, a médica disse que tentou se defender como podia:

 

— Ele já veio com a intenção de me agredir, mas não esperava que eu ia encará-lo. Acho que por isso não me bateu mais. Consegui desviar do primeiro soco, mas não do segundo. Caí no chão e ainda levei um chute. Na hora eu pensei em tentar ficar o mais íntegra possível, mas é difícil raciocinar em meio a uma situação como esta.

 

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde (SMS), na hora das agressões havia quatro vigilantes desarmados na unidade, mas eles não foram capazes de impedir nem as agressões, nem o vandalismo perpetrado pela dupla enfurecida.

 

— Tínhamos quatro profissionais de controle de acesso, mas o paciente dizia que estava armado e, neste caso, nossos vigilantes não conseguem impedir, não temos vigilantes armados — explicou Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde.

 

Segundo o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), presidente da Comissão de Saúde da Câmara, a falta de segurança é regra nos hospitais públicos na cidade:

 

— O que se tem hoje não são seguranças, nem vigilantes treinados. São o que eles chamam de controladores de fluxo, pessoas que não estão preparadas para lidar com situações de violência, o que põe em risco tanto os profissionais quanto os pacientes.

 

Como se não bastasse a vulnerabilidade do hospital, o caso de violência chamou a atenção para o fato de haver apenas uma médica de plantão na unidade, que tem 91 leitos — 57 estavam ocupados na manhã da última segunda-feira — e emergência 24 horas, com média mensal de 4,5 mil atendimentos.

 

— No plantão deste fim de semana, deveríamos ter dois médicos, mas um deles teve um problema de saúde. O certo é substituir esse médico, mas como tudo ocorreu em cima da hora, não foi possível. Reforçamos com o diretor da unidade que não pode ter esse desequilíbrio — disse Soranz.


Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) repudiou a agressão sofrida pela médica e manifestou solidariedade a “todos os profissionais da saúde que viveram momentos de terror em seu ambiente de trabalho”. Só no ano passado, 80 foram agredidos em todo o Estado do Rio, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

 

Enquanto isso, parentes de Arlene mostraram indignação com a morte da idosa.

 

— Só quero justiça — lamentou Elaine Marques, de 52 anos, filha de Arlene. — Por causa de um cortezinho no dedo dele, leva a vida da minha mãe? Ele (André Luiz) entrou na sala simulando que estava armado. Todo mundo saiu correndo. Um paciente com bolsa de colostomia correu e se escondeu no banheiro. Foi o que me contaram. Minha mãe quando viu aquilo começou a passar mal na cama e não pôde ser atendida porque estavam socando a cara da médica. Por falta de segurança, que eu nunca vi ali na porta, aconteceu isso.

 

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O delegado Geovan Omena, da 27ª DP (Vicente de Carvalho), responsável pela investigação, disse que a médica foi covardemente agredida:

 

— Fiquei indignado com o ocorrido porque é uma coisa desproporcional. Nada justifica a agressão. Ele tinha um corte no dedo. Um band-aid resolvia o caso dele a noite toda.

 

Ainda se recuperando do trauma do último plantão, Sandra Lúcia se prepara para outra batalha: voltar a trabalhar no hospital onde tudo aconteceu.

 

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— Vou voltar, sim. Não esta semana, mas vou voltar. Se eu disser que não estou com medo é mentira, mas a gente não pode deixar que a falta de educação e a violência nos tirem da nossa vocação — ensina. 

 

Fonte: O Globo

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