Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Localizado a 320 quilômetros da Capital rondoniense (Porto Velho), a 598,3 de Manaus e a 100 da cidade de Humaitá ao longo da BR-319, o Distrito de Realidade foi criado de um Assentamento do Incra-AM. E já nos anos 90 a 2000, perdeu sua característica original para o agronegócio madeireiro advindo do Sul e do Centro-Oeste brasileiro.
Do século passado para cá, segundo dados dos anais do antigo Ministério dos Transportes e do da Infraestrutura, pegou carona no e estado de degradação do “Trecho do Meio” (mais conhecido como "Toca da Onça") e suas variáveis negativas provocadas pela pior fase do tráfego nessa rodovia do ano - o inverno rigoroso.
Nas últimas temporadas do inverno amazônico (principalmente no quadriênio 2019-22), o Distrito de Realidade tem acumulado dissabor com a falta de manutenção e conservação dessa rodovia nos quesitos pontes que caem, sem iluminação, além do aumento do número de atoleiros à cada trecho interditado a partir da localidade do Igapó-Açú.
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Avenida principal da sede do Distrito de
Realidade, a 100 km da cidade de Humaita
Em toda a extensão da geografia dessa localidade, que também dá acesso aos municípios de Lábrea e a Manicoré pela ligação com a BR-230, Realidade se tornou nos últimos tempo “parada obrigatória para aventureiros que se arriscam durante o inverno e o verão para chegar a seu destino”, diz ex-patrulheiro da Polícia Rodoviária Federal em Rondônia.

O tráfego pesado produzido por carretas transportando madeira (em toras e pranchas extraídas de áreas de florestas amazonenses), caminhões boiadeiros e utilitários (leves, longos e de passageiros) quase o ano inteiro, além de gêneros perecíveis, têm contribuído para piorar o estado de conservação da rodovia construída em 1976.
De acordo com moradores, com a queda das duas pontes a partir do quilômetro 25, da BR-319, no trecho Careiro Castanho e ao Igapó-Açú, o Distrito de Realidade, a 100 quilômetros da cidade de Humaitá, enfrenta todos os dias, “verdadeiras tempestades de poeira, misturada com areia, cal, cimento, substrato asfáltico, pedra brita triturada e barro seco que são descartados por uma suposta empresa contratada do DNIT para fazer manutenção e conservação dos trechos críticos que levam à uma ponte do quilômetro 88 da região”.

Mais uma ponte ameaçada de desabar devido o tráfego pesado
Com os impactos, afirmam dirigentes da Associação de Produtores Rurais do Distrito de Realidade (ASPRU-Realidade), “temos que conviver com lençóis de poeira e tempestades de material impróprio ao ar que respiramos, diariamente.
- Essa ação poluidora tem provocado verdadeiro apagão a condutores, motociclistas, carreteiros, ciclistas e a produtores agrícolas que ao chegarem ao limite da rodovia com a ponte, tem sofrido acidentes, uns com danos graves além de afetar a saúde, acrescentaram moradores.
Situação semelhante ocorre ao longo dos trechos da “Toca da Onça” - mais conhecido como “Trecho do Meio"- a Realidade cuja área é a mais complicada da rodovia durante o inverno amazônico. No quadriênio 2019-22, devido ao período chuvoso atípico por causa da pandemia da Covid-19, sem qualquer manutenção e conservação, “mais de dois terços do comércio chegou a fechar à espera do próximo verão”.
OUVIDO DE MERCADOR
O trecho entre o entroncamento do Distrito de Realidade com a BR-319 e a BR-230 (Transamazônica), tem sido motivo de protestos dos habitantes locais por conta da má conservação e manutenção da rodovia. Porém, responsáveis pelo Distrito de Obras do DNIT estacionado ao longo da rodovia, “viriam descartando os apelos dos moradores do Distrito de Realidade”.
Desde o fim do inverno deste ano, os habitantes alegam que “somos obrigados a inalar poeira tóxica”, além das tempestades e ventanias que arrastam esse material às casas e tapam a visão dos motoristas que acabam, quase sempre, caindo dentro dos igarapés; alguns com vítimas fatais. Eles acrescentaram que uma Pick-Up capotou, mas sem vítimas fatais.


De acordo com habitantes do Distrito de Realidade, “os para-brisas dos veículos ficam embaçados e acabam provocando acidentes devido a formação de verdadeiros lençóis de areia e restos de material de construção, como a cal, cimento e resíduos de massa asfáltica lançada sobre concreto espalhado em parte dos trechos em obras, além do lixo descartado nas laterais da rodovia, segundo informações apuradas junto a viajantes.
ATUALIDADE
O Distrito de Realidade, segundo dados coletados dos anais da Associação Comercial e Industrial do Município de Humaitá, até a segunda gestão do ex-prefeito Roberto Ruy Guerra de Souza, “esteve no topo do ranking da economia da região”. Desse período até aos de hoje, “vive verdadeira hecatombe em sua economia”, afirmam comerciantes obrigados a mudar de atividade econômica.

Parte do Centro Comercial de Realidade,
nos dias de hoje (Foto: Xico Nery)
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Atualmente, amargaria uma triste realidade por conta da destruição da BR-319 nos idos de 1998-2000, quando dinamites teriam sido usadas por desconhecidos para destruir o asfalto, alegadamente, para “beneficiar o transporte por modais pela hidrovia do rio Madeira entre Manaus e a Capital Porto Velho, no vizinho Estado de Rondônia”.
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