Um dos principais dilemas de suas infância e juventude, segundo Léo, foi a relação com a religião e as igrejas que frequentou com a família
O desabafo é da multiartista e ativista Leonora Áquilla, numa das passagens sobre sua vida relatadas no livro "Um salto para o sucesso" (Citadel Grupo Editorial, R$ 59,90). Na obra, Léo abre o coração ao compartilhar momentos difíceis enfrentados ao longo de seus 54 anos, mesmo em fases em que já havia conquistado notoriedade e era considerada uma das representantes LGBTQIA+ de destaque no Brasil.
Um dos principais dilemas de suas infância e juventude, segundo Léo, foi a relação com a religião e as igrejas que frequentou com a família. Ao longo das 144 páginas, ela compartilha relatos sobre as tentativas de mudar o fato de ser uma mulher trans, uma exigência para que fosse aceita socialmente.
"Ouvia sempre, na Igreja Católica, que minha mãe nos obrigava a frequentar, que 'isso' era pecado, que eu iria para o inferno, que Deus não amava quem era 'assim', só para citar alguns dos 'ensinamentos' daqueles que diziam amar o próximo. Então, eu fazia até promessas para tentar mudar. Eu tinha medo de falar sobre isso até para mim mesma, embora eu soubesse o que eu era.
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Apenas não queria admitir. Cheguei a ir para Aparecida do Norte (SP), onde atravessei a passarela inteira de joelhos, pedindo para ser diferente. Alguns anos depois, fui para a Igreja evangélica e até tentei relacionamentos héteros", conta.
Léo lembra que, em certa ocasião, numa igreja, uma pastora que acreditava ter o dom de enxergar o futuro lhe disse, durante um culto, que ela não passaria dos 30 anos de vida.
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Foto: Reprodução
"Isso porque, segundo ela, eu morreria de HIV antes de atingir essa idade. De certa forma, a fala preconceituosa daquela mulher até me ajudou indiretamente. Pois fiquei muito assustada. Embora jamais tenha sido uma pessoa promíscua, aquelas palavras me tornaram ainda mais seletiva em relação aos meus relacionamentos amorosos", diz.Ela ainda afirma que quando decidiu ter um filho com uma amiga, na única relação heterossexual que experimentou, foi na tentativa de que não se visse mais atormentada pelas pressões sociais:
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"Dizem que Deus não é muito acostumado a acordos, mas, há alguns anos, resolvi fazer um com Ele mesmo assim. Eu já tinha passado décadas da minha vida tentando me ajustar a religiões e estava simplesmente esgotada daquela situação. Frequentei a Igreja Católica com a minha família, durante toda a infância e a adolescência. Mais tarde, fui para a Igreja Evangélica, me dediquei, li a Bíblia, conversei com os pastores. Cheguei ao ponto de fazer um filho, em uma relação heteronormativa, para provar que eu era homem. Assim, achei que parariam de me atormentar. Fiz de tudo para me ajustar ao que diziam que eu tinha de ser. Afinal, se eu não me encaixasse naquelas regras, mesmo sentindo que eu não cabia nelas, ninguém me amaria. Nem mesmo Deus. Mas… será?".
Fonte: Uol