NOTÍCIAS
Interior em Destaque
Lideranças dos povos Kulina e Kanamari do Médio Solimões e Purus protestam contra abandono e miséria absoluta que os faz mendigar comida, segurança e saúde
Foto: Divulgação

Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Praticamente jogados na miséria extrema nas cidades do rio Solimões, nas calhas dos municípios do Purus e do Sul do Amazonas, indígenas Kulina, Kanamari, Apurinã, Jamamadi, Munduruku, Tikuna, Mura, Parintintin e outros continuam sobrevivendo da maneira mais vil da história dos povos originários amazonenses traçadas por políticas nefastas pelo governo nos municípios e por organizações civis organizadas do Estado.

 

É o caso de dezenas de famílias dessa etnia, entre mulheres, crianças e idosos que vagam pelas ruas, vielas e guetos da cidade de Fonte de Boa, a 677 quilômetros da Capital Manaus.

 

Segundo ex-dirigentes da Organização dos Povos Indígenas do Médio Solimões e Afluentes a entidade é presidida pelo Raimundo Alcinez Maricaua de Lima, popularmente, conhecido como Xina Kokama.

 

Veja também

 

Pecuarista Sidney Zamorra é acusado de contratar PMS milicianos para agr3d1r e @me@ç@r posseiros no Ramal do Garrafa em Boca do Acre

 

PREFEITO FANFARRÃO! Gean Barros já condenado a dois anos de reclusão em regime aberto por não prestar contas de recursos recebidos do MEC, é flagrado embriagado após causar acidente de trânsito e fugir do local sem prestar socorro a vítima

 

Nome do Xina Kokama é Raimundo Alcinez Maricaua de Lima

 

Ele mora em Manaus e segundo fontes, “é ligado à Federação Estadual Indígena (FE)” cuja entidade disponibilizaria em ajuda pessoal até R$ 2 mil, em média. Além desses valores, cestas de alimentos e ajuda humanitária são recebidas pela OPIM-Fonte como parte de contribuição do Governo do Estado a ele para manter suposta Casa de Apoio a poucos passos da Federação.

 

Na última segunda-feira (18), a equipe de reportagem entrou em contato com o presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas (FEI), o indígena do povo Tikuna, Sinésio Trovão. Ele negou em parte as denúncias, mas admite que ajudaram Xina Kokama apenas nas ações sociais que desenvolveria em favor dos povos vinculados à sua entidade”.

 

Enquanto isso, a reportagem flagrou indígenas das etnias Kulina e Kanamari “hospedadas” no imóvel que Xina Kokama diz servir de sede social da entidade na cidade de Fonte Boa. Trata-se de “um tapiri, sem portas, janelas, banheiro, cozinha ou ambiente capaz de abrigar a indígenas ou pessoas humanas”, diz a assistente social Francisca Souza da Silva, 53.

 

Segundo ela, a Coordenadoria Regional da nova Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), no Amazonas, segundo interlocutores indígenas Kulina e Kanamari, “há muito foi informada das condições degradantes a que foram e estão confinados as famílias, com mulheres, crianças e idosos indígenas em Manaus, Fonte Boa, Manacapuru, Coiari, Tefé, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, além de Anori, Beruri, Tapauá, Canutama, Lábrea, Pauini e Boca do Acre, e em todas as unidades mantidas pela Funai e Ministério da Saúde”.

 

No contato com a reportagem foram registradas crianças, mulheres e idosos indígenas dessas etnias espalhadas pelo chão e outras no fundo de redes improvisadas para dormir e abrigar doentes (pelo menos 90% se comunicam com os brancos usando a língua geral materna). Os 10% restantes, sai às ruas, apesar das dificuldades de comunicação, sai às ruas para comida e mendigar nas portas das tabernas e no mercado local.

 

 

 

Esse é o quadro de caos na saúde, educação e segurança

alimentar dos indígenas no Solimões e Purus

 

LOBBY BRANCO

 

Praticamente confinados em supostas casas de apoio dirigidas por Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi), mantidos pelo Ministério da Saúde (MS) fora das aldeias, até hoje, ninguém sabe ao certo o montante de recursos destinados à manutenção desses órgãos (principalmente no interior do Estado).

 

Do município de Manacapuru à Lábrea, na Calha do Purus e Médio Solimões, os Condisi funcionam sob a gestão do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). O órgão é vinculado ao Ministério da Saúde. No âmbito dos municípios, “brancos estão à frente das unidades”, geralmente, esses cargos continuam sendo indicados por prefeitos e políticos.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram

 

Não é de hoje que organizações civis organizadas lutam pelo fim das indicações políticas e que “esses órgãos devem ser ocupados por indígenas com formação”, sinalizou a assistente social Francisca Souza da Silva. Segundo ela apontou, “entre esses povos, já é visível grande reserva de profissionais, médicos, sanitaristas, advogados, enfermeiros, de antropólogos a especialistas em gestão pública”.

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.