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Lideranças rurais, ambientais e indígenas acusam o Incra-AM de compactuar com grilagem de terras da união pelo agronegócio no estado do Amazonas
Foto: Reprodução

Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Nos quatro anos em que Jair Bolsonaro governou o país, os planos estaduais e federal de reforma agrária foram suspensos e praticamente anulados por todas as Superintendências Regionais do Incra (principalmente na Amazônia Ocidental e Oriental).

 

No Amazonas, o governo da época fez com que conflitos que já haviam mais que dobrassem no enfrentamento do agronegócio armado em terras da União. É o que afirmam dirigentes de associações e outras entidades de classe do campo no sul do Amazonas.

 

Segundo informações de institutos independentes ligados ao monitoramento da violência no campo, “os conflitos, com uso de policiais acusados de integrar milícias armadas, só prejudicaram os pequenos”. O índice de mortes por encomenda cresceu e chega a 2023 com mais assassinatos.

 

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De acordo com a historiografia apresentada por entidades sediadas no sul e sudeste do Amazonas, a que o “PORTAL DO ZACARIAS” teve acesso, “os grupos mais afetados por confrontos entre nativos amazonenses e fazendeiros, grileiros e madeireiros oriundos do Sul, Sudeste e do Centro-Oeste brasileiro, continua o sul de Lábrea, Canutama e mesorregiões das terras mais férteis do Estado".

 

 

Jairo Feitoza Pereira, Marinalva Silva de Souza e

Flávio Lima de Souza (Foto: Reprodução)

 

Os ataques a assentamentos do Incra, as tomadas de terras públicas da União a ferro e fogo, as chacinas e incêndios de propriedades ocupadas por populações tradicionais são apontados diariamente nas estatísticas oficiais. Porém, os números parecem não sensibilizar os órgãos de controle, como as seções judiciárias do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público Estadual (MPE-AM).

 

Considerado praticamente inútil. na época em que Bolsonaro este na Presidência da República e ao longo da gestão de superintendentes com perfil de extrema direita do Amazonas ao Amapá, o Incra nesses Estados sequer teria pedido à Advocacia Geral da União (AGU) que movesse ações de reintegração e manutenção das terras da União invadidas por grileiros, madeireiros e fazendeiros por trás do agronegócio.

 

Para dirigentes das associações de agricultores e produtores rurais das comunidades no sul do Amazonas (Canutama, Lábrea, Humaitá,Manicoré, Novo Aripuanã, Apuí, Tapauá, Beruri, Boca do Acre e Pauini), “o Incra só contribui para o avanço da grilagem em terras da União”.

 

Sob o comando de João Batista Jornada da Jornada, o Incra no Amazonas “amargou várias derrotas no Judiciário e liderou o ranking do Ministério Público Federal (MPF) em denúncias junto a Ouvidoria do órgão em Manaus”. Trabalhadores rurais, indígenas e empresários foram ao MPF oferecer reclamatórias, inclusive de um advogado de São Paulo que se dizia amigo de um dos membros do clã Bolsonaro.

 

Na ex-gestão da 15ª Superintendência Regional do Incra no Amazonas, conflitos entre fazendeiros sulistas e moradores de reservas extrativistas  e de áreas indígenas invadidas por grileiros oriundos dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande, Minas Gerais e do Centro-Oeste (norte do Mato Grosso), explodiram em chacinas, como a do Seringal São Lourenço, Fazenda Rondônia (antiga Shalom), dos PA Ipixuna, Buriti e Nossa Senhora Auxiliadora.

 

Em nenhuma situação ocasionada por esses confrontos anunciados, " Incra teria recorrido à olícia Federal para que se investigasse, plenamente, a ação de conhecidos grileiros envolvidos em outros casos de usurpação de bens da União Federal", atestam familiares das vítimas da chacina do Seringal São Lourenço, na tripla divisa dos estados do Amazonas, Rondônia e Acre, com o sul de Lábrea e Canutama.

 

Vítima da chacina no Seringal São

Lourenço. Crimes ainda impunes entre muitos

atribuídos a fazendeiros e a madeireros no

sul de Lábrea (Foto: Reprodução)

 

SOB OMISSÃO DO AGRONEGÓCIO

 

A Unidade Avançada do Incra em Humaitá, a 600 quilômetros de Manaus, servidores do órgão foram denunciados insistentemente ao Ministério Público Federal (MPF) e Defensoria Pública do Estado e da União,. O então superintendente regional, João Batista Jornada da Jornada nunca se manifestou sobre o assunto à Policia Federal na tentativa de apurar os casos.

 

"De viva voz ele afirmava que, enquanto Jair Bolsonaro fosse presidente da República, nenhum centímetro de terra seria dado a agricultores e a indígenas", lembram lideranças que foram ao órgão algumas vezes para registrar queixas. 

 

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