A chuva constante e intensa que caiu no Litoral Norte de São Paulo entre sábado (19) e domingo (20) provocou um processo conhecido como liquefação do solo, em que a água deixa a terra cada vez mais saturada até que o solo se transforma em lama.
"A partir do momento em que isso aí fica muito encharcado, o contato entre os grãozinhos de areia, de argila, já não é mais tão intensivo assim, então o material quase que se desfaz", explica o geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas Marcelo Gramani ao SP2.
"O que é o problema, nesse sentido? É que o raio de alcance dessa massa liquefeita ela vai atingir áreas até então não previsíveis em função desse grau de liquefação de solo", acrescenta.
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Além do processo de liquefação do solo, outro fator importante em deslizamentos de terra é a inclinação do solo: quanto mais íngreme, maior o risco de deslizamento.
Chuva recorde na região Em 15 horas entre sexta e sábado a região de São Sebastião registrou 683 milímetros de chuva, valor muito acima da média mensal prevista para fevereiro, de 303 mm. Para cada milímetro de chuva que cai, o volume equivale a um litro despejado por uma área de 1 metro quadrado.
A quantidade de chuva que caiu na região foi tão grande que bateu o recorde de maior volume registrado na história do país, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).Entre os motivos que ajudam a explicar o alto volume estão a cadeia de montanhas da Serra do Mar e uma frente fria vindo do mar.
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Até às 19h, o volume elevado de chuva na região deixou 40 mortos (39 em São Sebastião e um em Ubatuba). Como consequência, foi decretado estado de calamidade em seis cidades e luto oficial de três dias. Em todo o estado de São Paulo, são 1.730 desalojados e 766 desabrigados.
Fonte: G1