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Livres do sarampo, mas não de problemas
Foto: Reprodução

É preciso esforço de ambos os lados: do Ministério da Saúde, em corrigir os problemas de gestão, e das famílias, que precisam entender a importância de protegerem seus filhos

Uma ótima notícia para a saúde das crianças brasileiras: na terça-feira (12), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) entregou ao governo brasileiro o certificado de país livre do sarampo. Com isso, também é recuperado o status das Américas como região livre de sarampo endêmico.

 

Doença viral altamente contagiosa, o sarampo afeta principalmente crianças e pode causar complicações graves, como pneumonia, cegueira e encefalite (inflamação do cérebro). Algumas dessas complicações podem ser fatais ou deixar sequelas incapacitantes.

 

Nos anos 1980, quando fiz minha residência, o sarampo era comum. Vi crianças sofrendo com sintomas intensos e sequelas. Com a vacina, os casos foram diminuindo, até desaparecerem.

 

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Em 2016, conquistamos a certificação da Opas pela primeira vez. Mas com a queda da cobertura vacinal nos últimos anos, agravada pela péssima gestão e pela propaganda contra vacinas do governo Bolsonaro, os casos ressurgiram. Felizmente, muita coisa mudou desde o último governo.

 

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi valorizado e reforçado, e foi criado o Movimento Nacional pela Vacinação. Em 2023, quase todas as vacinas do calendário do SUS tiveram aumento significativo de cobertura, incluindo a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola: para a primeira dose, passou de 80,7% em 2022 para 92,3% em 2024.

 

A certificação veio após muito planejamento e ação. O governo federal investiu em treinamento nos estados, vacinação nas fronteiras e em locais de difícil acesso, busca ativa de casos e outras medidas. O financiamento para eliminação de doenças em 2023 foi de mais de R$ 700 milhões, investidos em vigilância em saúde, laboratórios, imunobiológicos e oficinas em todos os estados.

 

Por outro lado, há problemas de gestão. Segundo uma reportagem do GLOBO do dia 13 de novembro, o governo deixou vencer 58,7 milhões de imunizantes desde 2023. O número supera em 22% a quantidade desperdiçada na gestão anterior.

 

O Ministério da Saúde atribui parte das perdas à administração passada: “as vacinas vencidas em 2023 foram reflexo de estoques herdados da gestão anterior e campanhas sistemáticas de desinformação que geram desconfiança sobre a eficácia e segurança do imunizante, impactando na adesão da população”.

 

O governo investiu em estratégias para otimizar a utilização de doses já adquiridas pela gestão Bolsonaro, que evitaram o desperdício de 12,3 milhões de vacinas. E trabalhou com secretarias estaduais e municipais de modo a reduzir perdas.

 

Mas além do desperdício, há também escassez: nos últimos tempos tem surgido várias notificações de falta de vacinas, como a da Covid-19, varicela e outras. O Ministério da Saúde afirma que isso se deve a dificuldades de aquisição e atrasos nas entregas.

 

Pelo lado da sociedade, é preciso que acordemos do pesadelo negacionista. Mais da metade dos adolescentes vacinados contra a dengue pelo SUS, um imunizante caro e efetivo, por exemplo, não retornou para a segunda dose. Isso é triste: uma dose apenas não garante uma boa imunidade contra a doença.

 

Apenas 35% deles estão vacinados contra uma doença mortal, a meningite meningocócica, que tem picos de frequência nesta faixa etária. A cobertura da vacina do HPV, efetiva na proteção contra o câncer de colo do útero, também é baixa, apesar de progressos recentes. E muitos continuam a recusar a vacina para Covid, que já causou mais de 5 mil mortes esse ano. É espantoso.

 

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Enfim, há sinais de melhora, mas ainda há muito a progredir. O PNI é o melhor programa de vacinação do mundo e podemos nos orgulhar dele. É preciso um esforço de ambos os lados: do Ministério da Saúde, em corrigir os problemas de gestão e continuar os esforços de educação em saúde; e das famílias, que precisam entender a importância de protegerem seus filhos contra doenças tão graves. 

 

Fonte: O Globo

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