O ator Luís Miranda confirmou que Marcius Melhem teria usado o sexo como uma "prática de exercer poder" e revelou, em entrevista ao colunista Guilherme Amado, ter presenciado episódios de assédio no "Zorra", um dos programas do núcleo de Humor da Globo que era chefiado pelo humorista.
Na entrevista, o ator ainda confirmou que Melhem tinha atitudes inapropriadas nos bastidores. "Marcius tinha um comportamento íntimo demais para a hierarquia da casa. Como, por exemplo, entrar no camarim enquanto a Dani [Calabresa] estava trocando de roupa ou experimentando uma peça. E muitas brincadeiras e piadas de cunho sexualizado, além de armações de articulação do poder.
Com mulheres, [Marcius] tinha esse excesso de elogios às formas físicas", contou ele. Em seguida, Miranda disse ter ouvido de Dani que o comediante havia mostrado o pênis durante a festa dos cem episódios do "Zorra". No entanto, ele confessou que sentiu dúvidas sobre ter sido um abuso sexual ou apenas "mais uma brincadeira" de Marcius Melhem. Vale lembrar que o evento virou investigação da Delegacia da Mulher do Rio de Janeiro.
Veja também

Luis Miranda detona Bolsonaro após ter mãe ofendida: verme rastejante
Luis Miranda sobre a Polícia Federal isentar Bolsonaro no caso Covaxin: 'Discordo!'
"Eu liguei para o Maurício Farias e depois consequentemente para o Mauro Farias para tirar umas opiniões sobre o assunto. Eu queria entender se aquilo partia de uma coisa que era uma queixa dela porque ele tinha tirado o programa [que Calabresa queria estrelar] e ela estava chateada, ou se de fato realmente a coisa do abuso sexual fazia parte", disse Miranda.
Apesar da dúvida, Miranda admitiu que ficou perturbado depois que entendeu a gravidade do caso. "Porque naquele momento a gente entendia aquilo como uma brincadeira. Mas depois eu pensei: 'Pô, seria uma brincadeira se fosse comigo ou com os outros que faziam parte do elenco'. Mas, quando é chefe, a coisa é mais complicada", analisou ele.
Após a declaração, Marcius Melhem enviou, por meio de sua assessoria de imprensa, uma nota em que também inclui Miranda no círculo de pessoas que estariam envolvidas num complô contra ele e questionou por que o ator não é testemunha na investigação que corre na delegacia. "No mais, o golpe vai ficando claro, à medida que se revelam os movimentos de Dani Calabresa e as datas em que ela começa a agir", afirmou, em referência à tese do complô.
Diante dessa reação, Luís Miranda acrescentou que o humorista deveria buscar tratamento psicológico antes de acusar as vítimas de vingança. "Eu sinto que, muitas vezes, a gente faz um personagem para tentar jogar aquele jogo. É um jogo sujo das escalações. É um jogo sujo do poder, e no 'Zorra' foi muito sujo. Muito sujo mesmo, de dar ascensão e lugar às pessoas por puxa-saquismo", afirmou ao Splash.
"Isso tem que ser tratado por ele. Ele tinha que estar num psicólogo tratando o grau elevado da sexualidade dele. Tratando a prática de exercer poder dessa maneira. Isso é uma doença, ele tem uma doença que precisa ser tratada. E é triste, é lamentável, é penoso ver um doente relutar contra a cura."
Na sequência, Miranda confessou que o humorístico era "o sonho de todo mundo" e que ninguém gostaria de perder, embora tivesse "que enfrentar espécimes desse nível, que manipulam relações, comportamentos, que minam as coisas". O ator acrescentou que Melhem não aceitava um "corte de intimidade" e que era uma maneira de se colocar fora dos projetos.
Luís Miranda ainda antecipou que o humorista "vai trabalhar" em cima de suas entrevistas, mas não deve reconhecer suas atitudes abusivas. "Nunca sabe o que está dentro das pessoas, o que magoou aquelas pessoas. Não passa por esse critério. Não tem avaliações pessoais, sentimentais, sobre o mal que causa aos outros.
É sobre o mal que causou a muitas pessoas. É sobre o mal que causou a um departamento. É sobre milhares e milhares de pessoas despedidas, passando necessidade, que ele matou, que ele minguou, por conta desse projeto de poder", pontuou o ator.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp.
"É sobre esse projeto de poder que eu estou aqui falando. Não sobre Marcius, ele para mim já não tem nem valia. Eu gostaria de encontrar ele na rua e dizer: que pena, né, cara, que você não conseguiu gerir a sua vida. Gostaria, mas assim: cada vez que ele abre a boca, ele me afasta mais da conexão com ele", concluiu.
Fonte:Terra