Presidente afirmou que as investigações sobre atos de corrupção na refinaria fizeram parte de uma espécie de complô
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira, durante visita a Pernambuco, que a contrução da Refinaria Abreu e Lima "teve erros e acertos" e deu "graças a Deus pelo fato de o Brasil ter tocado a obra sozinho".
Lula citou as investigações da Operação Lava-Jato, que apontaram casos de corrupção em relação aos investimentos bilionários realizados pela Petrobrás no setor de refino, e anunciou a retomada das obras. De acordo com ele, "procuradores e juízes subordinados aos Estados Unidos não aceitavam que o Brasil tivesse uma empresa como a Petrobrás".
— Esse dia é muito importante para o Brasil, para a Petrobras, para Pernambuco e para mim. Há anos atrás, perguntei ao Hugo Chaves (então presidente da Venezuela) se ele tinha interesse em uma refinaria. O Chaves era um grande entusiasta e sempre respondia "sim". Eu queria uma parceria com a Venezuela por um superávit de quase US$ 4 bilhões que tínhamos com eles. Como a Venezuela não nos oferecia nada para comprarmos, tive a ideia de propor a este país, dono de reservas imensas de Petróleo, a compra do óleo deles para refino no Brasil.
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Quando o Chaves concordou, resolvemos começar esta refinaria, mas ele nunca colocou um centavo aqui. Cansamos de esperar e resolvemos tocar a refinaria. Hoje, digo que graças a deus fizemos ela sozinha. E seguiremos tocando as obras com nossos erros e acertos — detalhou Lula sobre os diálogos com o governo venezuelano.
Na sequência, o presidente afirmou que as investigações sobre atos de corrupção na refinaria fizeram parte de uma espécie de "complô".
— Quando deixei a presidência, tive as contas dos meus oito anos de governo aprovadas pelo TCU e pelo Congresso. Somente cinco anos depois, começou um processo de denúncias contra a Petrobras. Mas, nunca foi contra a Petrobras. Não se pode punir a soberania de um país e a sua maior empresa, que é a Petrobras. A história ainda será contada e isso pode demorar anos. Mas, tudo o que aconteceu nesse país foi uma macumunação entre juízes e procuradores subordinados aos Estados Unidos, que não aceitavam uma empresa como a Petrobras no Brasil — afirmou.
A Rnest nunca foi concluída. Foi concebida ainda na primeira gestão do presidente Lula e contava originalmente com a participação da venezuela PDVSA, que anos mais tarde desistiu do projeto. Ao longo dos anos, o empreendimento foi estourando orçamentos e acabou sendo alvo de escândalos de corrupção envolvendo diretores da estatal, de empreiteiras e integrantes de partidos políticos.
O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a apontar superfaturamento de pelo menos R$ 2,1 bilhões durante as obras do projeto, após as revelações da Operação Lava-Jato.
A primeira unidade de refino de Abreu e Lima entrou em operação no fim de 2014. O projeto original previa uma segunda unidade, mas foi descarta em 2015. Na gestão de Jair Bolsonaro a estatal decidiu colocar a Rnest à venda junto com outras sete refinarias, que, juntas, somavam metade da capacidade de refino do Brasil.
Porém, não encontrou interessados justamente porque a unidade localizada em Ipojuca estava incompleta.
Então, a antiga gestão da Petrobras já havia começado a estudar a ampliação da Rnest como forma de torná-la mais “vendável”. A construção de uma segunda unidade de refino conta com investimento estimado em US$ 1 bilhão e com capacidade de produzir 145 mil barris de diesel por dia.
Com a chegada do PT ao poder novamente, a direção da companhia decidiu acelerar o projeto de ampliação da refinaria e ainda ampliar a primeira unidade, que vai passar de uma capacidade de 115 mil barris de petróleo por dia (bpd) para 130 mil bpd.
Lula iniciou, nesta quinta-feira, uma série de viagens pelo Nordeste. Pela manhã, esteve em Salvador, onde assinou um acordo de parceria pelo Centro Tecnológico Aeroespacial da Bahia. Também na Bahia, Lula inaugurou a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Paulo Afonso. À tarde, o presidente embarcou para Pernambuco, onde visitou a refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca.
No palanque, Lula estava ao lado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que deve concorrer à reeleição este ano com o apoio do PT. Além de parlamentares, estava no local a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, do PSDB.
Contruída no município de Ipojuca, a refinaria foi apresentada como uma obra de "superação" e a "realização de um sonho".
— O nosso Lula está de volta — discursou Célia Sales (PP), prefeita de Ipojuca.
Deyvid Bacelar, da Federação Única dos Petroleiros (FUP), deu o tom da comemoração. Ele justificou os atrasos nas obras e os elevados custos da refinaria.
O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a apontar superfaturamento de pelo menos R$ 2,1 bilhões durante as obras do projeto.
— (A refinaria era) um sonho que foi destruído pela Operação Lava-Jato — disse.
Em Salvador, Lula usou um evento do governo para dar força a um aliado que pretende entrar na disputa eleitoral pela prefeitura local. Geraldo Junior (MDB), atual vice-governador do estado, nome apoiado pelo PT na capital, subiu ao palco com Lula e foi aclamado como “meu prefeito” pela claque que acompanhava a cerimônia oficial. O favorito na disputa da cidade, o atual prefeito, Bruno Reis, do União Brasil, não foi à cerimônia.
Apesar de a sigla controlar três ministérios na gestão petista e ser aliada no âmbito federal, União Brasil e PT estão em lados opostos na Bahia. Nas eleições de 2022, a disputa entre os partidos foi acirrada pelo governo do estado: de um lado, ACM Neto (União Brasil) e do outro, vitorioso, o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT).
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O vice-governador ainda não tem o apoio declarado de Jerônimo, que conta com o aval prévio do presidente Lula. Também participaram do evento de hoje em Salvador os ministros Rui Costa, da Casa Civil; José Mucio, da Defesa; e Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Fonte: O Globo