Há três semanas, presidente comparou ação na Faixa de Gaza ao Holocausto e depois foi declarado persona non grata
Em meio à crise com Israel desencadeada pela fala em que comparou a ação militar na Faixa de Gaza ao Holocausto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o governo israelense nesta segunda-feira e posou para fotografias segurando uma bandeira da Palestina.
Lula participa nesta noite da Conferência Nacional de Cultura, em Brasília. O poeta Antônio Marinho foi ao palco levando uma bandeira da Palestina e cumprimentou as autoridades presentes. Depois de falar com o artista, Lula o chamou e posou para fotos segurando a bandeira.
Depois, em discurso, Lula voltou a criticar o governo israelense:
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— Vocês estão lembrados como apanhei quando falei da Palestina. Mas o tempo vai provar que estava certo. O povo palestinhpo tem o direito de viver e criar seu país. Não pode fazer o que for feito: anunciar comida e mandar torpedo, mandar bala, mandar a morte — disse o presidente.
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Em viagem à Etiópia no fim do mês passado, Lula comparou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto. A declaração gerou forte reação do governo de Benjamin Netanyahu, e Lula foi declarado "persona non grata":
— O que está acontecendo na Faixa Gaza não existe em nenhum outro momento histórico, aliás, existiu, quando Hitler resolveu matar os judeus — afirmou Lula na ocasião.
Na semana passada, em entrevista, o presidente disse que jamais usou o termo Holocausto, mas reiterou as críticas.
— Primeiro que não disse a palavra Holocausto. Holocausto foi interpretação do primeiro-ministro de Israel. Não foi minha. A segunda coisa é a seguinte, morte é morte
Ainda durante a entrevista, Lula reafirmou a posição do Brasil em condenar os ataques terroristas do Hamas, mas afirmou que não podia "ver o Exército de Israel fazendo com inocente a mesma barbaridade". Lula ressaltou que, desde o começo do conflito, está pedindo o cessar-fogo e um corredor humanitário para a entrada de alimentos e socorro médico.
— O Brasil foi o primeiro país a condenar o gesto terrorista do Hamas. O primeiro país. Mas eu não posso condenar o gesto terrorista do Hamas e ver o estado de Israel através do seu Exército, do seu primeiro-ministro fazendo com inocente a mesma barbaridade. Ou seja, o que nós estamos clamando: que parem os tiroteiros, que permitam a chegada de alimento, remédio, de médico, enfermeiro, para que a gente tenha um corredor humanitário e tratar das pessoas. É isso — afirmou na entrevista.
Em seguida, sem citar diretamente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Lula afirmou que não esperava que o governo de Israel fosse "compreender" os pedidos, porque "conhece o cidadão já há algum tempo" e sabe "o que ele pensa ideologicamente".
— Agora veja, eu não esperava que o governo de Israel fosse compreender. Eu não esperava. Porque eu conheço o cidadão historicamente já há algum tempo, eu sei o que ele pensa ideologicamente.
O presidente Lula participa nesta segunda-feira da abertura da quarta Conferência Nacional de Cultura (CNC). Com o tema “Democracia e Direito à Cultura", o evento deve reunir mais de 3 mil participantes de todo o Brasil no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
O evento dura até a sexta-feira, 8, e irá debater políticas públicas culturais e definir orientações prioritárias para assegurar transversalidades nas ações do setor. As propostas aprovadas durante a CNC vão embasar as diretrizes do novo Plano Nacional de Cultura (PNC), que nortearão o ministério nos próximos 10 anos.
A conferência terá a participação de produtores culturais e da sociedade civil. Com adesão de todos os estados e Distrito Federal,, as delegadas e delegados que participarão da etapa nacional do evento elegeram, nas fases estaduais e distrital, aproximadamente 140 propostas que serão debatidas entre 12 grupos de trabalho.
O último PNC, elaborado em 2014 e com prazo até dezembro, foi elaborado após a realização de fóruns, seminários e consultas públicas com a sociedade civil e, de 2005 em diante, sob a supervisão do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). Com duração de uma década, o plano teve a sua vigência prorrogada duas vezes.
Em café com jornalistas nesta manhã, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que políticas culturais só deixarão de depender de gestões governamentais quando a sociedade reconhecer o tema como uma política de Estado. Menezes disse ainda que a pasta não consegue trabalhar sozinha enquanto parte da sociedade constrói “críticas constantes de desconstrução” ao setor.
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Mais cedo, Lula anunciou um projeto de lei que regulamenta os serviços e garante direitos previdenciários a motoristas de aplicativos de plataformas.
Fonte: O Globo