Para o presidente, a abertura das compras do governo a estrangeiros poderia afetar o projeto de reindustrialização.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, neste sábado (24), que o acordo entre Mercosul e União Europeia é importante e defendeu o livre comércio entre os países, desde que cada nação preserve o que for “considerado essencial”.
O acordo que criaria a maior área de livre comércio do mundo é discutido há 24 anos e já foi finalizado, mas precisa ser ratificado e assinado pelos países de ambos os blocos para valer na prática.
As declarações foram dadas um dia após a forte repercussão, inclusive no Brasil, da manchete do jornal francês Libération, que trouxe o presidente brasileiro na capa, chamando-o de “a decepção”, por defender, entre outros pontos, o livre comércio.
Veja também

Estou doido para fazer acordo com a União Europeia, diz Lula em Paris
Lula desmarca jantar com o príncipe saudita das joias que Bolsonaro tentou contrabandear
“Quanto mais livre for o comércio entre nós, desde que cada um garanta aquilo que é considerado essencial, eu acho normal que a França tenha que defender a sua agricultura. Pode ser um ponto de mais dificuldade de inflexão, mas é normal que eles também compreendam que o Brasil não pode abrir mão das compras governamentais”, disse em entrevista à imprensa em Paris na manhã deste sábado.
O capítulo do acordo que trata de compras governamentais é alvo frequente de Lula. O trecho prevê que empresas estrangeiras participem de licitações públicas, ao garantir “tratamento nacional” aos fornecedores estrangeiros de bens e serviços contratados pela administração pública.
Para o presidente, a abertura das compras do governo a estrangeiros poderia afetar o projeto de reindustrialização, que é uma bandeira de sua gestão, além de prejudicar pequenas e médias empresas.
“Porque se eu destacar para eles as compras governamentais, a possibilidade de fortalecer a indústria nacional chega a zero, a possibilidade de você permitir que pequenos e médios empresários possam produzir para o Estado comprar chega a zero, então não é possível.”
PRESIDENTE CRITICA PROTECIONISMO DE PAÍSES RICOS
Lula já tinha admitido em Roma que os dois blocos precisam abrir mão de seus “perfeccionismos e protecionismos” para que o acordo entre União Europeia e Mercosul avance. Na cúpula em Paris, na sexta-feira (23), o presidente disse que as exigências ambientais feitas pelos europeus para destravar a parceria soam como ameaça.
No entanto, na entrevista à imprensa deste sábado, quando fez um balanço das viagens a Roma e Paris, o presidente sinalizou que o maior protecionismo vem dos europeus.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter, Youtube e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
“Dos anos 80 pra cá tudo que as pessoas falavam era que quanto mais abertura melhor, quanto mais livre comércio melhor, não sei das quantas. Agora quando chega a vez dos países pobres competirem em igualdade de condições e os mais ricos viram protecionistas, então não tem nenhum sentido”, afirmou o presidente.
Fonte:CNN