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Lula x Bolsonaro: veja percentual de eleitores que não querem filho casado com alguém que vota no candidato oposto
Foto: Reprodução

Levantamento da Quaest mostrou que 43% dos apoiadores do atual presidente se sentiriam infelizes nesta situação; o mesmo acontece com 28% dos bolsonaristas

Um levantamento da Quaest mostrou que 43% dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se sentiriam infelizes ou muito infelizes se seu filho ou filha se casasse com alguém que vota em Jair Bolsonaro (PL). E para 28% dos bolsonaristas o sentimento seria o mesmo em relação a um lulista. A pesquisa inédita integra o livro "Biografia do Abismo", do cientista político Felipe Nunes e do jornalista Thomas Traumann, que chega hoje às livrarias.


Os número são próximos do registrado nos Estados Unidos que se divide entre democratas e republicanos. Nos dois segmentos, 38% responderam o mesmo em 2020, em uma pesquisa do instituto YouGov.

 

— Você deixa de falar com seu irmão, de conviver com pessoas que você ama. As pessoas estão se privando da presença. Eu só quero o que é igual a mim. É um termômetro de como a situação é doentia, da intolerância — alerta Traumann.

 

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No livro, os autores afirmam que, para além da agenda econômica, do debate sobre a implementação de políticas públicas, a definição do voto passou a ser também guiada pela forma como cada grupo enxerga o mundo, sobre seus valores e suas identidades. Os dados foram coletados durante o processo eleitoral do ano passado.

 

É nesse ambiente, de polarização extrema, que os brasileiros agora escolhem o que consumir, em que escola matricular os filhos, que cantores ouvir ou mesmo que veículos de mídia acompanhar ou não.

 

A obra compila evidências, a partir de pesquisas de opinião Genial/Quaest, dos efeitos desse transbordamento da divisão política para o dia a dia dos brasileiros e que reforçam o fenômeno da “polarização afetiva”, no qual cresce não só a identificação com o grupo do qual se faz parte, mas também o ódio e a diferença em relação aos vistos como adversários. Os ataques golpistas de 8 de janeiro, por apoiadores de Bolsonaro, são o ápice desse comportamento.


Dados inéditos do Estudo Eleitoral Brasileiro de 2022, reunidos para o livro, mostram que o índice de polarização afetiva do Brasil tem crescido ano a ano e disparou na disputa do ano passado. O cálculo é feito a partir da avaliação dos entrevistados sobre os candidatos a presidente (nome do PT e anti-PT) em uma escala de 0 a 10 , em que 0 é “não gosta de jeito nenhum” e 10 é “gosta muito”. Quanto mais próximo de 10 o resultado ao se reunir os dados de todos os eleitores, maior a polarização afetiva. Esse número passou de 4,42, em 2014, para 5,61 em 2018, e chegou a 6,92.

 

CONSUMO

 

O impacto não se restringe às relações interpessoais. Também em junho deste ano, 20% dos entrevistados pela Quaest afirmaram que se sentiriam mal ao descobrir que compraram produto de alguém que votou em um candidato diferente do seu. Há um ano, 13% declararam que não comparariam o produto de uma marca que apoiou o candidato adversário.

 

Para Felipe Nunes, além das autoridades e do meio político, tomadores de decisão no mundo corporativo ainda ignoram o impacto que a polarização afetiva tem também nas escolhas dos consumidores.

 

Os próprios brasileiros, porém, percebem como a divisão se aprofunda. Após o pleito de 2022, 90% dos eleitores avaliaram que o país saiu mais dividido da disputa eleitoral. Quase metade dos brasileiros apontou crescimento das diferenças de visão de mundo entre homens e mulheres e entre moradores do Sul e Nordeste.

 

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— A primeira etapa, e gente espera que o livro ajude nisso, é aceitar que que há essa polarização extrema. E isso significa aceitar que vai ter diferença na igreja, na família, nas empresas e nas instituições. Ou a gente entende isso, ou o resultado pode ser muito pior — diz Nunes. 

 

Fonte: O Globo

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