Contando com Arthur e Andrey Santos, já vendidos para Leverkusen e Chelsea, Ramon Menezes tem sete jogadores de clubes de fora do país no elenco que encara a Tunísia nesta quarta
Uma tendência de mercado que se reflete em experiência para o Brasil no Mundial Sub-20. A Seleção de Ramon Menezes que encara a Tunísia nesta quarta-feira, pelas oitavas de final, em La Plata, chegou à Argentina com um recorde: o maior número de jogadores brasileiros negociados com o futebol internacional nos 46 anos de competição.
Dos 21 jogadores convocados para a disputa, sete já têm o futuro definido com clubes do exterior - todos europeus. Arthur, vendido recentemente ao Bayer Leverkusen, da Alemanha, e Andrey Santos, negociado no final do ano passado com o Chelsea, precisam esperar a nova temporada para a estreia internacional. Mas Robert Renan (Zenit), Matheus Martins (Watford), Savinho (PSV), Marquinhos (Arsenal) e Douglas Mendes (Liefering, da Áustria) já realizaram o sonho no Velho Continente.
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BRASILEIROS JÁ NEGOCIADOS COM O EXTERIOR
Robert Renan - Zenit (Rússia)
Matheus Martins - Watford (Inglaterra)
Savinho - PSV (Holanda)
Marquinhos - Arsenal (Inglaterra)
Douglas Mendes - Liefering (Áustria)
Andrey Santos - Chelsea (Inglaterra)
Arthur - Bayer Leverkusen (Alemanha)
O número supera com folga os quatro representantes em 2007 e 2015, e faz jus a uma tendência universal de mercado. O Brasil é disparado o país que mais exporta talentos no mundo. Antes da abertura da próxima janela de verão europeu, já são 1.289 brasileiros que atuam fora do país de origem, um aumento de 5.6% em relação a 2022 de acordo com levantamento CIES Football Observatory divulgado recentemente.
O estudo engloba 2.200 clubes em 135 ligas espalhadas pelo mundo, e liderança do Brasil é considerável em comparação aos 1.033 franceses que atuam fora de casa. O top-5 conta ainda com a Argentina (905), a Inglaterra (535) e a Espanha (448).
O recorde do Brasil com estrangeiros entre os convocados para o Mundial Sub-20 tinha sido estabelecido em 2015 e em 2007.
Na última edição que o país participou, a geração vice-campeã contava com Andreas Pereira, do Manchester United e atualmente no Fulham, e nomes com menos projeção entre os profissionais. Danilo Barbosa, atualmente no Botafogo, defendia o Braga, enquanto Jean Carlos era promessa da base do Real Madrid e atualmente está no futebol polonês, e o meia Alef, que esteve na edição na Nova Zelândia como jogador do Olympique de Marselha, está na liga da Hungria.
"ESTRANGEIROS" DO BRASIL EM MUNDIAIS NO SÉCULO
2015 - 4 (Andreas, Manchester United; Danilo, Braga; Alef, Olympique; Jean Carlos, Real Madrid)
2011 - 1 (Coutinho, Inter de Milão)
2009 - 0
2007 - 4 (David Luiz, Benfica; Marcelo, Real Madrid; Jô, CSKA Moscou; Luiz Adriano, Shakhtar)
2005 - 1 (Filipe Luís, Ajax)
2003 - 1 (Alcides, Schalke)
2001 - 1 (Pinga, Torino)
Já o time de 2007 contava com talentos precoces que tiveram mais sucesso a nível mundial. Apesar da campanha frustrante com eliminação nas oitavas, a geração já tinha David Luiz no Benfica, Marcelo no Real Madrid, Luiz Adriano no Shakhtar e Jô no CSKA. O último time campeão, em 2011, na Colômbia, só contava com um "estrangeiro": Philippe Coutinho, na Inter de Milão.
Especialista na captação de talentos, Júnior Chávare, diretor executivo da Ferroviária, acredita que a diversidade de perfis que surgem no futebol brasileiro permite o abastecimento dos mais diversos mercados:
- A qualidade do jogador brasileiro é observada não só nos mais novos, que possuem maiores chances de retorno financeiro, mas também em mais experientes. O desenvolvimento do talento local, agora acompanhado pelos vizinhos sul-americanos, segue como referência para a prospecção de mercado e ganho técnico das equipes.
O posicionamento de Chávare a respeito do desenvolvimento do mercado sul-americano como um todo também se comprova em números. No Mundial Sub-20, a Argentina conta com seis jogadores atuando no exterior, todos na Europa, a Colômbia com sete (cinco na Europa, um no México e um nos EUA), o Equador com cinco (quatro na Europa e um no México) e o Uruguai com dois "europeus".

PAÍSES COM MAIS JOGADORES NO EXTERIOR
Brasil - 1.289
França - 1.033
Argentina - 905
Inglaterra - 535
Espanha - 448
- As empresas que conseguem utilizar dados para tomada de decisões nas contratações têm larga vantagem em relação aos demais. O Brasil é um celeiro de atletas de futebol - acredita Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em gestão esportiva.
O país que mais recebe jogadores brasileiros é Portugal: 213, quase o triplo do segundo colocado Japão, com 79. Responsável técnico da TFM, agência que faz a gestão de carreira de prodígios como Vini Jr, Endrick e Martinelli, Thiago Freitas relaciona o dado a facilidades de adaptação evidentes, como o idioma.
- Ainda que a liga portuguesa não seja o sonho do típico jovem atleta brasileiro, ela é vista como uma excelente oportunidade de adaptação a uma outra cultura e ambiente de jogo, e uma ótima ‘vitrine’. São muitos os clubes europeus que buscam regularmente atletas brasileiros, mas que já tenham dado mostras de que podem atuar em alto nível fora do Brasil. Portugal cumpre como ninguém esse papel, de ‘estágio’, de ‘certificador’ dessa capacidade.
Com sete "europeus" e outros tantos na mira para a próxima janela, o Brasil entra em campo para seguir vivo no sonho do hexa nesta quarta-feira, às 14h30 (de Brasília), diante da Tunísia, no estádio Diego Armando Maradona, em La Plata. Caso avance, a Seleção terá pela frente nas quartas de final Israel, que eliminou o Uzbequistão por 1 a 0.

Foto: Reprodução
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Fonte: GE