NOTÍCIAS
Mulher
Mais da metade das brasileiras desconhece opções de preservação da fertilidade, revela pesquisa inédita
Foto: Reprodução

No caso das mulheres, o principal motivo é a busca pela gravidez cada vez mais tarde

A maioria das mulheres cresce achando que engravidar é muito fácil. Mas a realidade não é bem assim. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 a cada 6 pessoas (17,5%) no mundo enfrentam dificuldades para engravidar.

 

No caso das mulheres, o principal motivo é a busca pela gravidez cada vez mais tarde. Apesar disso, poucas brasileiras estão familiarizadas com conceitos como "preservação da fertilidade" ou buscam se informar sobre tratamentos para infertilidade. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada pelo Ipec a pedido da Merck.

 

Os dados, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, mostram que 52% das mulheres não costumam se informar sobre tratamentos para infertilidade e métodos de preservação da fertilidade. Essa proporção se mantém estável entre aquelas de 25 a 35 anos (52%) e de 36 a 45 anos (53%).

 

Veja também 

 

Roupa ideal para cada tipo de corpo: veja dicas para arrasar nos looks

 

Vibrante, chique e iluminado: Único tom de cabelo devolve 20 anos às 45+

Na verdade, embora a imensa maioria (88%) tenha informação sobre métodos contraceptivos, quando se trata de procedimentos de preservação da fertilidade, como congelamento de óvulos e embriões, o cenário é o oposto: 55% das mulheres desconhecem essas opções. Quando o tema é oncopreservação - tratamento que visa preservar a fertilidade de pacientes com câncer - , a taxa sobe para 86%.

 

"Precisamos ampliar o diálogo sobre a saúde feminina, planejamento reprodutivo e opções de preservação da fertilidade para as brasileiras. Embora muitas mulheres estejam bem-informadas sobre métodos contraceptivos, o desconhecimento sobre a fertilidade e técnicas como congelamento de óvulos e oncopreservação mostra que ainda temos um caminho a percorrer para que as mulheres estejam de fato empoderadas com informações que possam apoiar suas decisões reprodutivas”, destaca Maria Augusta Bernardini, diretora médica da Merck para Brasil e América Latina.

 

Estudo aponta que 91% das brasileiras em idade fértil não realizaram exame  para verificar reserva ovariana - Associação Brasileira de Reprodução  Assistida | SBRA

 

Quando questionadas sobre as principais prioridades em suas vidas, a maioria das mulheres elencou conquista de um patrimônio, crescimento profissional, experiências pessoais e cuidados com a saúde. Ter filhos e fazer planejamento familiar estavam entre as últimas opções. O problema é que o avanço da idade é um dos principais fatores para a infertilidade feminina. Isso porque as mulheres já nascem com com a quantidade de folículos, células que vão desenvolver os óvulos, pré-estabelecida, a chamada reserva ovariana. A partir dos 35 anos, essa reserva passa a cair num ritmo gradativo.

 

Outras causas que interferem direta ou indiretamente na fertilidade feminina incluem síndrome do ovário policístico, obesidade, alterações da tireoide, mioma uterino, endometriose, entre outras. E, de acordo com a pesquisa, pelo menos 4 em cada 10 mulheres receberam diagnóstico de alguma dessas ou doenças relacionadas com infertilidade. Essa proporção é maior entre quem tem de 36 a 45 anos se comparado com as que têm de 25 a 35 anos.

 

Taxas de fertilidade globais - incluindo no Brasil - devem cair  drasticamente nas próximas décadas, alerta estudo

Fotos: Reprodução

 

Mesmo assim, atualmente, é comum deixar a gravidez para mais tarde. O levantamento mostrou que a maior parcela das entrevistadas já vivenciou uma gravidez, porém isso é mais comum entre as mulheres de 36 a 45 anos, em contraste com aquelas de 25 a 35 anos, cuja maioria nunca engravidou.

 

E embora atualmente existam opções que ajudam casais inférteis, como a fertilização in vitro (FIV), o procedimento não garante que de fato haverá uma gravidez e também tem um custo elevado para a maior parte da população. Entre as poucas entrevistadas que já fizeram ou estão em tratamento para infertilidade, 55% afirmam que o momento da busca por ajuda médica aconteceu tarde demais e após um período de tentativas frustradas.

 

O processo é marcado, sobretudo, pelo custo financeiro e emocional e psicológico.; 4 em cada 10 mulheres precisaram recorrer a alguma fonte de financiamento. Isso porque os planos de saúde não cobrem o tratamento e eles também não estão disponíveis no SUS, salvo exceções (para ambos os casos).

 

Entre as entrevistadas, 47% apontam questões financeiras como um dos principais obstáculos para o acesso a tratamentos de fertilidade. A dificuldade de acesso ao serviço público (25%) e a ausência de cobertura por planos de saúde (21%) também foram citados como barreiras relevantes. Contudo, apesar de 70% afirmarem que o tratamento para fertilidade é totalmente inacessível ou inacessível, 90% nunca solicitaram um orçamento – dado que aparece entre pessoas das classes A/B e C.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram

 

“Ao observar esses dados, fica claro que o acesso à informação é um dos primeiros passos para assegurar que as mulheres possam tomar decisões que refletem seus desejos e necessidades”, comenta Melissa Cavagnoli, médica ginecologista e obstetra com especialização em reprodução humana. “É preciso garantir que essas questões sejam reconhecidas como pilares fundamentais do bem-estar e da autonomia feminina, permitindo que as mulheres façam escolhas informadas e alinhadas aos seus objetivos de vida.” O levantamento ouviu mulheres com idade entre 25 e 45 anos, de todas as regiões do país. 

 

Fonte: O Globo

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.