O Comitê de Ética da Câmara acusou o ex-deputado Matt Gaetz, republicano da Flórida, de pagar por sexo, possuir drogas ilegais e ter relações sexuais com uma menor de idade, de acordo com o relatório do painel. Gaetz foi escolhido pelo presidente eleito Donald Trump para ser o novo secretário de Justiça dos Estados Unidos, mas desistiu da indicação em meio a denúncias de má conduta sexual e uso de drogas ilícitas, que levaram à investigação do comitê.
O relatório, divulgado nesta segunda-feira, constatou que, pelo menos de 2017 a 2020, Gaetz “pagou regularmente a mulheres para que elas se envolvessem em atividades sexuais com ele”; e, em 2017, “se envolveu em atividades sexuais com uma garota de 17 anos”, diz.
O Comitê de Ética constatou ainda que, de 2017 a 2019, Gaetz usou ou possuiu drogas ilícitas, incluindo cocaína e ecstasy “em várias ocasiões”, e aceitou presentes luxuosos, incluindo transporte e hospedagem nas Bahamas, em quantidades superiores às permitidas.
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“O deputado Gaetz agiu de uma maneira que reflete descrédito sobre a Câmara”, afirmou o relatório.O Comitê de Ética concluiu que Gaetz violou as leis estaduais de má conduta sexual, incluindo a lei de estupro da Flórida, e violou as regras da Câmara relativas a presentes e uso indevido de seu cargo oficial. No entanto, o comitê disse que não encontrou provas conclusivas de que Gaetz violou as leis federais de tráfico sexual.
“Embora o deputado Gaetz tenha causado o transporte de mulheres através das fronteiras estaduais para fins de sexo comercial, o comitê não encontrou provas de que qualquer uma dessas mulheres fosse menor de 18 anos no momento da viagem, nem encontrou provas suficientes para concluir que os atos de sexo comercial foram induzidos pela força, fraude ou coerção”, escreveu o painel.
A divulgação das conclusões do painel veio acompanhada de conflitos internos significativos entre os membros do Comitê de Ética. O relatório deixa claro que o presidente republicano do comitê se opôs à sua divulgação.
“Acreditamos e permanecemos firmes na posição de que o Comitê de Ética da Câmara perdeu a jurisdição para divulgar ao público qualquer produto de trabalho substantivo referente ao Sr. Gaetz após sua renúncia da Câmara em 14 de novembro de 2024”, escreveu o deputado Michael Guest, republicano do Mississippi.
“Embora não contestemos as descobertas do comitê, ficamos muito decepcionados com o fato de a maioria ter se desviado dos padrões bem estabelecidos do comitê e votado pela divulgação de um relatório sobre um indivíduo que não está mais sob a jurisdição do comitê, uma ação que o comitê não realiza desde 2006.”
A divulgação do relatório ocorreu após um mês tumultuado para Gaetz. Em novembro, Trump anunciou que havia escolhido o congressista da Flórida para liderar o Departamento de Justiça, o que provocou raiva e preocupação entre os membros de ambos os partidos no Capitólio.
Gaetz renunciou ao Congresso no dia em que foi escolhido para liderar o Departamento de Justiça, mas logo vazou a notícia de que o Comitê de Ética da Câmara estava prestes a divulgar sua tão esperada investigação sobre a conduta de Gaetz. Como a oposição do Senado aumentou contra sua indicação, Gaetz retirou seu nome da consideração para secretário de Justiça.
Desde a primavera de 2021, Gaetz tem sido investigado por uma série de alegações, incluindo a de que ele se envolveu em má conduta sexual e uso de drogas ilícitas, compartilhou imagens ou vídeos inadequados no plenário da Câmara, usou indevidamente registros de identificação do estado, converteu fundos de campanha para uso pessoal e aceitou presentes que violavam as regras da Câmara.
A investigação do Congresso foi interrompida enquanto o Departamento de Justiça realizava uma investigação relacionada à conduta de Gaetz, incluindo alegações envolvendo tráfico sexual e sexo com menores. Em fevereiro, o Departamento de Justiça decidiu não apresentar acusações contra ele após concluir que não poderia apresentar um caso suficientemente forte no tribunal. Após o término da investigação do Departamento de Justiça, o Comitê de Ética retomou seu trabalho.
O painel entrevistou mais de uma dúzia de testemunhas, emitiu 29 intimações e analisou cerca de 14 mil documentos. O comitê disse em junho que continuava a investigar as alegações de que Gaetz poderia ter se envolvido em má conduta sexual e uso de drogas ilícitas, aceitado presentes impróprios, concedido privilégios especiais e favores a indivíduos com os quais tinha um relacionamento pessoal e tentado obstruir as investigações do governo sobre sua conduta.
A Comissão disse que estava encerrando sua investigação sobre as alegações de que Gaetz poderia ter compartilhado imagens ou vídeos inapropriados no plenário da Câmara, usado indevidamente registros de identificação do estado, convertido fundos de campanha para uso pessoal e aceitado suborno ou gratificação imprópria.
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Depois que Trump tornou públicos seus planos de escolher Gaetz como secretário de Justiça, senadores de ambos os partidos rapidamente pediram ao comitê que divulgasse suas conclusões.
Fonte:O Globo