Morador de Itanhaém, no litoral de São Paulo, Kauan Francisco de Oliveira, possuí a Síndrome de Legg-Calvé-Perthes, quadro causado pela falta temporária de fornecimento de sangue à cabeça do fêmur.
O menino Kauan Francisco de Oliveira de 6 anos foi diagnosticado com a Síndrome de Legg-Calvé-Perthes, um quadro passageiro causado pela falta de fornecimento de sangue para região da cabeça do fêmur, o maior osso do corpo humano.
A mãe Jane Francisco, de 37 anos, contou que o tratamento proposto por um médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itanhaém, no litoral de São Paulo, prevê que ele fique de dois a quatro anos sem andar e colocar peso nas pernas.
"É uma situação que eu não desejo para mãe nenhuma. A gente tem que ser forte. No meio dessa batalha temos que encontrar força onde a gente não tem, porque ver um filho que era ativo e, de repente, não pode fazer atividades é complicado. É muito difícil", lamentou Jane.
Veja também

Mãe é investigada por abandonar crianças em casa e viajar para a Bahia
Mulher é presa na rodoviária com quatro fuzis com destino ao Complexo do Alemão
De acordo com o médico e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) Marcus Vinicius Moreira, a Síndrome de Legg-Calvé-Perthes é passageira e tem dois tipos de tratamento.
O tratamento conservador, como é o caso de Kauan e de 75% das crianças diagnosticadas com a síndrome, consiste em medicações para controle da dor, proteção de carga, fisioterapia e imobilizações com gessos e órteses — aparelho que permite corrigir uma parte do corpo. Já os outros 25% precisam de interferência cirúrgica, que varia conforme o quadro clínico.
"O paciente fica sem carga por algum tempo para proteger a cabeça do fêmur da própria carga [do corpo] e, com isso, não muda tanto o formato dessa cabeça. [O objetivo é] tentar manter a cabeça do fêmur esférica ou no melhor formato possível para, quando chegar no final da doença, ela ter um formato mais preservado e, com isso, uma função melhor", disse o médico sobre o tratamento de Kauan.
Segundo Marcus, as crianças podem voltar a andar, porém, depende do formato final que o quadril ficará no final do crescimento. Jane afirmou que os médicos disseram que Kauan tem grandes chances de viver normalmente após o tratamento.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/q/s/JcWnlwRUeDDEVhNnCVdw/legg-calve-perthes-2.jpg)
Mãe de menino com Síndrome de Legg-Calvé-Perthes luta por
recursos para melhorar qualidade de vida do filho
(Foto: Arquivo Pessoal)
DIAGNÓSTICO DE KAUAN
À reportagem, Jane contou que, em março de 2022, Kauan estava brincando quando reclamou de dor na perna. Segundo ela, durante oito meses levou o filho no hospital, mas os médicos diziam que ele não tinha nada e só receitavam remédios para dor. Em novembro do mesmo ano, o diagnóstico da Síndrome de Legg-Calvé-Perthes foi dado.
"Eu nem imaginava que existia essa doença. Nem passava pela minha cabeça [...]. Ele era um menino saudável, vivia brincando. Eu moro em condomínio, eu tinha que brigar com ele para subir [para casa].", disse a mãe.
Jane afirmou que, após o diagnóstico, "começou a tortura". Ela precisou parar de trabalhar para se dedicar ao filho e, hoje, vive de doações e Bolsa Família, programa do Governo Federal voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente Kauan usa cadeira de rodas, é atendido por médicos de São Paulo e faz fisioterapia uma vez por semana, serviços obtidos pela mãe junto à Prefeitura de Itanhaém. No momento, Jane luta para conseguir hidroterapia [tratamento dentro de uma piscina], mais sessões de fisioterapia por semana e fraldas para evitar que ele levante para ir ao banheiro.
SÍNDROME DE LEGG-CALVÉ-PERTHES
Marcus explicou que a Síndrome de Legg-Calvé-Perthes é caracterizada pela falta temporária de chegada de sangue na cabeça do fêmur, sem motivação conhecida. Segundo ele, trata-se de uma doença "incomum" e ocorre na proporção de um caso a cada 15 mil habitantes.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
O especialista acrescentou que a doença não atinge adultos. Os mais afetados são meninos, geralmente entre dois e 12 anos.
Fonte: G1