Por causa das chuvas mais contínuas, o rio Acre transbordou e elevou o nível do rio Purus atingindo até 10 mil pessoas nas regiões mais baixas da cidade e do interior
Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Apesar da queda do nível das águas do Purus nos últimos dias, mesmo com o aumento parcial das chuvas na mesorregião amazonense dos municípios de Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canutama, Tapauá e Beruri, em Boca do Acre os danos causados pela cheia deste ano obrigou a prefeitura a decretar estado de emergência.
Por causa das chuvas mais contínuas, o rio Acre transbordou e elevou o nível do rio Purus atingindo até 10 mil pessoas nas regiões mais baixas da cidade e do interior do município localizado a quilômetros da Capital Manaus, cujo registros de atingidos pode ser maior do que os dados oficiais apontam.
Quem vive e mora em Boca do Acre, a cheia deste ano, apesar de não ter superado a cheia histórica de 1997, ainda assim, segundo experientes pescadores, pioneiros ainda vivos e acadêmicos da cidade, “todos os anos há ameaça de grandes enchentes, mas as autoridades do Purus não apresentaram nenhum plano de contenção ou política própria de atenção aos atingidos”.
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Submersa quase que por completo, com ruas e bairros sujeitos à contaminação por doenças contagiosas e outras endemias, a cidade de Boca do Acre, por sua localização geográfica privilegiada não tem e nunca teve plano de combate às enchentes”. Mesmo com a baixada das águas, as prefeituras não garantem acesso às pessoas a programas de saúde, educação, segurança alimentar e assistência social”.
A Defesa Civil Municipal nas cidades do rio Purus, “não tem um quadro de pessoal ou brigadistas qualificados”. Por isso, a excessiva busca de dinheiro, água potável, cestas básicas e ajudas emergenciais por parte do Governo do Estado e Federal.

Avenida Professor Botinelly, a principal da cidade
de Canutama em todas as enchentes é tomada pelas águas
“Enfim, ajuda humanitária disponibilizada nesse sentido, acaba tendo o socorro emergencial, possivelmente, desviado por políticos e prefeitos que se locupletariam, já que não há controle efetivo dos órgãos de controle, como na distribuição de alimentos e recursos públicos”, destinados aos atingidos por cheias, desbarrancamento ou surtos epidemiológicos, entre viroses, leptospirose (doença causada pela urina de ratos), dengue ou chikunguya”.
Em Lábrea, a 690 quilômetros de Manaus - diferentemente da cidade de Pauini - as águas só chegaram, até agora, ao porto conhecido por Trapicho. O Rio Purus “tem se mantido no nível de uma cheia aceitável, mas, que o nível do rio já atingiu toda a área externa do porto da Comara, na região mais baixa da cidade”.

Área alagada na cidade de Pauin
Segundo o grupo de estivadores que atua nas operações de embarque e desembarque de passageiros e cargas, “em todas as cheias o Porto da Comara ameaça ser engolido pelas águas”. No local, a reportagem constatou que a prefeitura não fez caso de revitalizá-lo, “por ser o único porto da cidade reconhecido pelas autoridades portuárias do Estado”.

Pauini nao tem terminal hidroviario desde o século passado
Dos municípios da calha do rio Purus, Boca do Acre (a 1.555 quilômetros de Manaus), na última medição divulgada pelo Serviço Hidrológico no estado do Acre, ao lado da Capital Rio Branco e mais 16 municípios acreanos, do lado amazonense, é o mais prejudicado com a cheia deste ano.

Bairro São Pedro e área central de Canutama,
totalmente invadidos pelas enchentes no baixo Purus
Segundo fonte do Serviço Hidrológico no Estado acreano, “no último final de semana, o nível do rio Acre teria se mantido estável, com a marca de 13,57 cm na última segunda-feira (11/4). A possibilidade de nova subida no nível desses rios só seria possível a partir da chegada das chuvas contínuas”, o que poderia atingir até 90% dos ribeirinhos de Boca do Acre, Pauini (no Baixo Purus), Lábrea (área baixa do porto da Comara), Canutama (como em 2021-2), Foz do Tapauá (município do mesmo nome) e Beruri.
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- Além de ameaçar as cidades de Anori, Manacapuru e Iranduba, municípios amazonenses da calha do Solimões que fazem parte da Grande Manaus.
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