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Mineração de Bitcoin na América do Sul: Chega um novo El Dorado?
Foto: Reprodução

A mineração de Bitcoin é um setor estratégico na América do Sul, atrai grandes investimentos e está ganhando espaço em países como Paraguai, Argentina e Brasil. Isso está acontecendo principalmente por causa da disponibilidade de energia renovável e pelos incentivos que alguns governos sul-americanos oferecem para transformar o Bitcoin em uma fonte de receita e desenvolvimento regional.

 

As oportunidades na mineração de Bitcoin

 

Embora o mercado tenha cada vez mais projetos de critpomoedas, com tokens para diferentes perfis de investidores, o Bitcoin ainda é o principal ativo. E, da mesma forma que os brasileiros pensam em investir em Ethereum, a segunda maior criptomoeda do mundo em capitalização de mercado, a mineração de Bitcoin é outra porta de crescimento econômico aberta pelos criptoativos.

 

O Paraguai, por exemplo, é um grande destino para mineradores de Bitcoin devido à abundante energia hidroelétrica gerada pela Usina de Itaipu. Segundo dados divulgados pelo governo paraguaio, o país possui um excedente de energia que equivale a aproximadamente 90% do consumo anual interno, tornando-o um ambiente ideal para operações de mineração de Bitcoin.

 

Com o Paraguai se beneficiando da venda de energia a preços elevados para os mineradores, essa política gera benefícios econômicos diretos para o país. A Bitfarms, uma das maiores empresas de mineração de Bitcoin, anunciou em 2024 a expansão de suas operações no Paraguai, adicionando cerca de 100 megawatts de capacidade.

 

Isso mostra que o ambiente para mineração no país é favorável, já que atraiu mais de 10 novas empresas do setor nos últimos dois anos. De acordo com o ministro da Indústria e Comércio, Javier Giménez, os mineradores de Bitcoin chegam a pagar três vezes mais pelo megawatt comparado ao valor pago por países vizinhos, como o Brasil, através do acordo de Itaipu.

 

Esse diferencial permite que o Paraguai aumente sua receita tributária enquanto estimula a criação de empregos e qualifica a mão de obra local. Já no Brasil, a mineração de Bitcoin enfrenta um cenário bem diferente. O país possui uma das tarifas de energia elétrica mais altas da América Latina, o que torna a mineração de Bitcoin pouco viável em áreas conectadas às redes de distribuição convencionais.

 

Como resultado, muitas operações de mineração buscam soluções off-grid, onde parcerias com geradores privados e o uso de energias alternativas, como o biogás, são viáveis. O potencial para a geração de energia a partir de biogás e biometano no Brasil é imenso, com diversas iniciativas surgindo para aproveitar resíduos orgânicos e dejetos de agroindústrias.

 

Segundo a Associação Brasileira de Biogás (ABiogás), a produção de biogás no Brasil atingiu 2,5 bilhões de metros cúbicos em 2023, o que equivale ao consumo energético de cerca de 5 milhões de residências. Esse volume poderia ser redirecionado para sustentar operações de mineração de Bitcoin em áreas rurais, onde as restrições da infraestrutura elétrica são menos impactantes.

 

As operações off-grid trazem ainda uma solução ambientalmente sustentável para a mineração de Bitcoin no Brasil. Além de contribuir para a geração de emprego e renda em cidades com alto índice de resíduos orgânicos, a mineração de Bitcoin com biogás ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao evitar a queima direta desses resíduos, como ocorre no flare.

 

Essa prática cria um círculo virtuoso de benefícios econômicos e ambientais para as regiões onde é implementada. Por outro lado, na Argentina, a mineração de Bitcoin é uma boa solução para o problema do metano excedente na exploração de petróleo e gás. Em áreas como a reserva de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo de xisto do mundo, o gás natural é extraído em grandes volumes, mas nem sempre há viabilidade para transportá-lo para os centros de consumo.

 

Isso leva à prática de flare, onde o gás é queimado diretamente no local. A mineração de Bitcoin, ao consumir o gás excedente e transformá-lo em energia, é uma alternativa ambientalmente sustentável, pois evita a queima direta de metano, um gás que tem um impacto ambiental muito maior que o dióxido de carbono.

 

Empresas locais e internacionais começaram a explorar essa oportunidade, gerando empregos e movimento econômico em áreas que, de outra forma, seriam marcadas pela estagnação. De acordo com dados da Energy Information Administration (EIA), a utilização de metano na mineração de Bitcoin pode reduzir as emissões de metano em cerca de 63%, além de adicionar milhões de dólares à economia argentina.

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