Na cidade de Manaus duas ou três empresas do ramo passaram a concentrar mais de 97% das compras dos produtos
Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Cansados de apelar às autoridades, pequenos e médios produtores do interior do Estado e de Manaus, afirmaram no final de semana que vão recorrer ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal para tentarem pôr fim ao mais novo cartel na zona rural amazonense”.
De acordo com lideranças rurais, a compra de milho, ração e outros produtos para nutrição de animais domésticos (galinha, ganso, suíno e outros) “a cada dia fica mais difícil”. Segundo relatado ao “PORTAL DO ZACARIAS”, na cidade de Manaus duas ou três empresas do ramo passaram a concentrar mais de 97% das compras dos produtos.
No interior do Estado, a situação é mais complicada por conta do distanciamento geográfico, o que dificulta a ação dos órgãos de controle de preços.
Veja também

Produtores fazem teste de produção de milho no município de Apuí, interior do Amazonas. VEJA VÍDEOS
Nos municípios das cidades de Manicoré, Novo Aripuanã, Apui, Humaitá e distritos de Realidade e São João do Matupi, alcançados pela BR-230 e BR-319, “os preços sobem a cada quinzena”, afirmam produtores de assentamentos do Incra.
O preço do milho, segundo relatado - que antes era vendido a R$ 85 a saca de 60 quilos -, atualmente varia entre R$ 100 e R$ 110 em distribuidoras, que já adquirem o produto nas unidades de venda da Companhia Brasileira de Alimentos - órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). No comércio varejista e atacadista, “é acrescentado mais o valor do frete em caso de entrega rápida”.
De acordo com levantamento aleatório por parte de associações e cooperativas de pequenos e médios criadores cadastrados na Unidade Central da Conab (Manaus), produtos de nutrição animal, mais especificamente, o milho e a ração, “já não nos fornecem mais com a mesma facilidade de há três meses passados”.
Ressaltam os produtores que “na chegada do milho e da ração, ao preço da tabela do Governo, os empresários se adiantam e ficam com quase todo o estoque”. Eles comparam a manobra ao fato de a “corda arrebentar do lado mais fraco” e sob a complacência de autoridades que deveriam fiscalizar o processo de aquisição de alimentos oriundos dos estoques do Governo Federal.
O “PORTAL DO ZACARIAS” esteve em uma das distribuidoras do setor privado. Segundo um fucnionário, “ganha quem tem mais poder de capital para compra na Conab”. Sobre o assunto, pequenos criadores de aves nos ramais do entorno do Projeto de Assentamento Água Branca e Iporá (I, II e II), sob a responsabilidade do Incra, no Amazonas, “no mês de março comprou milho e ração quem se adiantou à programação anunciada da Cobal com atraso”.
A partir desta segunda-feira (03), representantes do setor de aves, capirinos, suínos e da piscicultura ameaçaram recorrer ao Ministério Público Federal (MPF-AM) a fim de que supostos cartéis de venda e revenda de produtos de nutrição animal sejam investigados em Manaus e no interior do Estado. A ação dos distribuidores, segundo revelaram, juntamente com as operações consideradas ilegais de apreensões de aves abatidas por pequenos criadores protagonizadas por uma deputada estadual, “já afetou mais de 99% do setor, devido ao não escoamento nos últimos 45 dias’.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.