Seu lugar será ocupado por Joaquín Alonso Vázquez, atual presidente do Banco Central
O ministro da Economia de Cuba, Alejandro Gil, foi demitido pelo Conselho de Estado, informou o diário oficial Granma na sexta-feira. A saída de Gil, entre outras mudanças de altos funcionários do governo, ocorre em meio a uma crise sobre o anúncio de aumentos nos preços dos combustíveis. Seu lugar será ocupado por Joaquín Alonso Vázquez, atual presidente do Banco Central.
"O Conselho de Estado, por proposta do presidente da República, Miguel Díaz-Canel, concordou em destituir o companheiro Alejandro Gil Fernández de suas responsabilidades como vice-primeiro-ministro e ministro da Economia e Planejamento", informou o jornal em seu site.
Dois dias antes, governo cubano adiou o aumento de mais de 500% no preço do combustível que estava previsto para quinta-feira, devido a um "incidente de cibersegurança", segundo a vice-primeira-ministra da Economia e Planejamento, Mildrey Granadillo, que não apresentou uma nova data para a entrada em vigor da medida.
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— Foi tomada a decisão de adiar a implementação de uma decisão de governo vinculada à atualização dos preços dos combustíveis — afirmou Granadillo na quarta-feira, alegando a ocorrência de "um incidente de cibersegurança nos sistemas de informática cuja origem foi identificada em um vírus do exterior".
Autoridades haviam anunciado no começo do mês um aumento em 1º de fevereiro, como parte de um conjunto de medidas para tentar reduzir o déficit fiscal, de 18% em 2023. Esse aumento "tem como objetivo comprar combustível" e "conseguir um abastecimento estável", explicou na ocasião o ministro de Minas e Energia, Vicente de la O Levy. No fim de dezembro, o governo havia reconhecido que era insustentável continuar vendendo combustível a preços "subsidiados".
O litro da gasolina normal passará de 25 pesos cubanos (R$ 0,97) para 132 pesos (R$ 5,3 reais), o que equivale a um aumento de 528%. A gasolina especial subirá de 30 pesos (R$ 1,2) para 156 pesos cubanos (R$ 6,3), o que representa um aumento de 520%.
Na quinta-feira, motoristas cubanos aguardavam em filas que se estendiam por quarteirões em postos de gasolina de Havana, na esperança de encher o tanque antes do aumento.
— Vai mudar tudo, porque terei que aumentar meu preço — disse o trabalhador autônomo Lorenzo Castillo, de 57 anos, que esperava na fila. Ele acredita que haverá um efeito dominó: — Se, antes, um táxi me custava mil pesos, agora irá custar 2 mil ou 3 mil, não sei.
Para Elena Mas, dona de uma empresa de serviços tecnológicos, o aumento terá "um impacto muito severo na população". Ela reconheceu, no entanto, que o litro de combustível tem um custo atual muito baixo.
— Temos que ser realistas — comentou.
Cuba enfrenta uma crise crônica de combustíveis agravada em abril de 2023, quando o governo a atribuiu ao não cumprimento dos compromissos dos países que fornecem petróleo bruto à ilha, devido ao fato de eles enfrentarem "uma situação energética complexa".
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A Venezuela, principal fornecedor de Cuba, entrega à ilha 56 mil barris por dia, enquanto o México e a Rússia ajudaram no último ano a aliviar o déficit cubano.
Fonte: O Globo