Dezenas de voluntários vão à região ajudar as equipes a encontrar corpos e eventuais feridos
Um pouco mais longe, em Shati, o maior campo de refugiados do enclave, devastado pelas guerras e pela pobreza, alguém grita: “Venha! Ele ainda está vivo!”. Um socorrista se aproxima, agarra a mão que emerge dos escombros e, auxiliado por colegas e por moradores do lugar, consegue resgatar um homem preso. Sua cabeça está sangrando.
Dezenas de voluntários ajudam as equipes de resgate nesta região a encontrar os corpos e eventuais feridos entre os escombros deixados pelo último bombardeamento israelita na Faixa de Gaza, já sob “cerco total”, sem água, eletricidade ou combustível.
Desde que o movimento islâmico Hamas, que governa Gaza, atacou Israel no sábado, matando mais de 1.200 pessoas, o enclave palestino tem vivido sob bombas. Dia e noite, o barulho de explosões, drones e outras deflagrações é incessante. Ninguém dorme, tanto pelo barulho quanto pelo medo de saber que alguma casa está potencialmente ameaçada.
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Israel quer “liquidar” o movimento islâmico e desde que esta operação começou, ordenada após a ofensiva de sábado, mais de 1.300 palestinos morreram em Gaza. Este é o conflito mais mortal desde a criação do Estado de Israel, há 75 anos.
Em Shati, na manhã desta quinta-feira, caças realizaram dezenas de bombardeios em meia hora. "Onde estão mamãe e meus irmãos?", pergunta um menino de 4 anos, com o corpo cheio de pó e ensanguentado, retirado dos escombros por um homem. Jamal al Masri mal entende o que aconteceu.
— Estávamos dormindo e, de repente, todo o bairro ficou sob bombas. Eles destruíram minha casa — disse à AFP. — Na casa do meu irmão, dos meus pais e de vários vizinhos também. Todos foram afetados, há fragmentos de corpos, cadáveres, dos meus filhos e dos filhos de outras pessoas.
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A filha de Jamal al Masri o interrompe perguntando o que aconteceu. E ele diz, apesar de nada parecer funcionar ao seu redor: "Tudo vai ficar bem. Vamos ficar aqui, não vamos sair de Gaza".
Em muitos bairros, mesmo os que não foram reduzidos a ruínas fumegantes, não há eletricidade. A única central elétrica que abastece o enclave, onde vivem 2,4 milhões de palestinos (metade deles crianças), está parada, por isso não há internet nem água, nem as redes telefônicas funcionam.
No hospital al Shifa, o maior de Gaza, reina o caos. Entre as idas e vindas das ambulâncias, os vizinhos se reúnem para perguntar sobre seus entes queridos. Os feridos vão e vêm e há também crianças sentadas no chão, paralisadas, em silêncio. Uma enfermeira deixa um dos menores aos cuidados de um médico e pergunta, gritando: “Alguém conhece essa criança?”
Depois, ele corre para atender dezenas de feridos que, deitados em finos colchões de espuma, aguardam atendimento. Do necrotério vêm soluços, gritos de dor, lamentações. O local está cheio e há ainda dezenas de corpos, enrolados em lençóis, caídos no chão.
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Um jovem sai de lá tremendo. “Talvez ele não esteja morto. Seu corpo não está lá”, diz ele. “Vamos ver no pronto-socorro, provavelmente podem tratá-lo”, repete, como se tentasse se convencer.
Fonte: O Globo