Ex-embaixador e ex-ministro lutava contra um câncer e estava internado desde abril
Morreu, na noite de quinta-feira, aos 79 anos, o ex-ministro e ex-embaixador Sergio Amaral. O diplomata estava internado desde abril e lutava contra um câncer de próstata.
Sergio Amaral foi secretário de Comunicação Social da Presidência da República (1995-1999) e porta-voz do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Era um dos diplomatas mais importantes do seu tempo.
Na diplomacia, chegou ao topo da carreira, ocupando os principais postos do Brasil no exterior, como as embaixadas em Londres, Paris e Washington.
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Amaral estava aposentado quando foi nomeado para a chefia da embaixada nos Estados Unidos, em 2016, no governo do ex-presidente Michel Temer, pelo então chanceler José Serra. Durante esse período, manteve contato direto com o atual presidente americano, Joe Biden, durante a visita de Temer aos EUA, em meados de 2018.
Também durante seu comando da representação em Washington, o Brasil assinou um importante acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos, que vinha sendo negociado desde o início dos anos 2000. O acordo que permite aos americanos lançarem satélites a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, enfrentou resistências sob a acusação de que poderia ferir a soberania nacional.
Em 2019, foi transferido dos Estados Unidos para o escritório de representação do Itamaraty em São Paulo, pelo então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um mês antes da retirada do ex-embaixador do posto, Bolsonaro havia se queixado de que era visto como racista e homofóbico no exterior porque sua imagem não era bem defendida pelos diplomatas brasileiros.
De volta ao Brasil, se dedicou a atividades no setor privado. Presidiu o Conselho Empresarial Brasil-China e fez parte do Conselho da WWF Brasil. Integrava o conselho estratégico da Fiesp e era membro do conselho do Cebri.
Quando Biden venceu a eleição, em 2020, o ex-embaixador previu os desafios que o líder americano enfrentaria durante o mandato. Em entrevista ao GLOBO, na época, avaliou que "Biden encontrará um país inteiramente dividido. Será difícil governar um país muito dividido, ele precisará de muito apoio, da opinião pública, da Câmara de Representantes".
Durante a campanha presidencial do Brasil, em 2022, Amaral declarou voto na chapa Lula-Alckmin, junto ao ex-ministro Rubens Ricupero e outros tucanos históricos.
REPERCUSÃO
Pelo Twitter, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, manifestou pesar pelo falecimento do diplomata, lembrando que Amaral deixa uma "extensa lista de serviços prestados ao país" e uma imensa contribuição para a diplomacia e o serviço público brasileiros".
O Itamaraty divulgou uma nota prestando homenagem à “brilhante carreira” de Sergio Amaral. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou “reconhecimento por uma trajetória de relevantes serviços prestados” ao ministério e ao Brasil.
Em uma publicação no Twitter, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, disse que Amaral era “um ser humano e um diplomata brilhante, cordial e o precursor da cultura exportadora do Brasil”
O ex-ministro da Justiça e ex-secretário-geral da Presidência durante os governos do ex-presidente Fernando Henrique, Aloysio Nunes, disse no Twitter, que “morreu Sergio Amaral, um dos mais brilhantes dos nossos diplomatas, meu amigo há 60 anos. Hoje me sinto mais sozinho”.
O presidente do Conselho Brasil-China, Luiz Augusto de Castro Neves, declarou, em nota, que “o debate público brasileiro certamente se ressentirá da ausência das contribuições e observações argutas” do ex-embaixador “que deixará saudades em todos os que tiveram o privilégio de se relacionar com ele”.
DIPLOMACIA DESDE A INFÂNCIA
Sergio Amaral nasceu em São Paulo, em 1944. O diplomata era fluente em cinco línguas e se formou em Direito pela USP , tendo terminado a pós-graduação em Ciência Política na Universidade Paris-Sorbonne. Também foi professor assistente de Relações internacionais na Universidade de Brasília.
Amaral deixa quatro filhos, de dois casamentos, e dois netos. Camila do Amaral, uma das filhas, lembra que o pai foi estimulado, desde pequeno, pela mãe, a seguir a carreira diplomática.
— Ele foi, desde o primeiro dia da infância dele, determinado que faria isso. Foi uma pessoa que ajudou muita gente e o país também. Teve muitos papéis relevantes e de grande contribuição para a economia e a política internacional — lembra a filha.
De acordo com a família, o velório está marcado para o próximo sábado, às 09h da manhã, e o enterro será no mesmo dia, no cemitério São Paulo, em Pinheiros.
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Fonte: O Globo