Até o momento, cinco colaboradores do texto foram indicados para postos políticos, e já fazem promessas similares às presentes nas 900 páginas do plano de governo conservador
Como candidato, Trump não endossou publicamente o manifesto conhecido como Projeto 2025, elaborado por vários de seus aliados, chamado as ideias de “abismais”. Agora, o presidente eleito indicou ou nomeou para seu futuro mandato ao menos cinco pessoas envolvidas na iniciativa
O plano se tornou público há pouco mais de um ano, no momento em que a disputa pela Casa Branca começava a ganhar tração. Ele era liderado pela Fundação Heritage, e inclui ideias de conservadores contra a imigração, os direitos reprodutivos e contra o “Estado grande”, dando aos democratas um alvo fácil para ataques às posições “extremistas” de Trump, como eram chamadas pela candidata do partido à Presidência, Kamala Harris.
O Projeto 2025 quer eliminar regras relacionadas às mudanças climáticas, reduzir proteções trabalhistas, substituir servidores públicos por pessoas leais ao republicano e desmantelar partes dos departamentos de Educação, Comércio e Segurança Interna, dentre outros tópicos.
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Durante a campanha, Trump se distanciou do Projeto 2025, alegando não saber nadas sobre ele e afirmando discordar de algumas de suas ideias “absolutamente ridículas e abismais”.
— Não aceitaria uma lista vinda deles. Não aceitaria um tema vindo deles. Não tocaria neles. Eles se tornaram radioativos — disse, antes da eleição, Howard Lutnick, seu vice-coordenador da transição e agora indicado para o Departamento de Comércio, em entrevista ao Washington Post.Agora, ao menos cinco pessoas envolvidas com o Projeto 2025 foram sondadas para postos no segundo mandato de Trump.
Brendan Carr, autor do capítulo sobre a Comissão Federal de Comunicações (FCC), foi indicado para liderar a agência, responsável por regulamentar a TV e a internet. Suas recomendações no Projeto 2025 incluem limitar as proteções às grandes empresas de tecnologia que conservadores dizem ser responsável pelo “excesso” de moderação de conteúdos, em especial a Meta, controladora do Facebook, e a Alphabet, do Google.
Após sua indicação, Carr prometeu, em publicação no X, “desmantelar o cartel da censura e restaurar os direitos de liberdade de expressão para os americanos comuns”.
Russ Vought, autor de um capítulo sobre a redução da burocracia federal e o fortalecimento do controle presidencial sobre ela, deve ser indicado para controlar o Escritório de Gerenciamento e Orçamento, de acordo com a CBS News.
Em sua contribuição ao Projeto 2025, ele se concentra no corte do tamanho do governo e defende que pessoas indicadas para cargos políticos tenham mais poderes do que funcionários de carreira. Vought ainda encoraja o uso agressivo de ordens executivas a partir do primeiro dia de governo, algo que o porta-voz de Trump, Jason Miller, disse que o republicano planeja fazer.
Tom Homan foi indicado para o cargo de “czar da fronteira”, e aparece entre os colaboradores do texto. Um dos pontos centrais do Projeto 2025 é a deportação de milhões de imigrantes em situação irregular, especialmente criminosos. Trump disse que pretende declarar emergência nacional, permitindo que empregue o Exército para capturar os estrangeiros, controlar os campos de detenção e os expulsar do país. Homan, que foi a face mais conhecida das políticas de tolerância zero do primeiro mandato, disse que vai quebrar a resistência em cidades progressistas.
— Se você não vai nos ajudar, saia da frente — afirmou, em um alerta às chamadas “cidades santuário”, onde as autoridades locais não colaboram ou impedem operações federais anti-imigração.
John Ratcliffe foi indicado para comandar a Agência Central de Inteligência (CIA), e também aparece na lista de colaboradores do Projeto 2025. Ex-congressista e diretor de inteligência nacional de Trump no primeiro mandato, ele alertou de forma recorrente sobre a necessidade de proteger os EUA contra as ações econômicas, militares e tecnológicas chinesas, e disse que as maiores empresas da China são apenas uma fachada para o Partido Comunista do país. No texto do Projeto 2025, há vários conselhos sobre a necessidade de proteção contra o que considera ser a ameaça vinda da China
Pete Hoekstra foi indicado para chefiar a embaixada no Canadá. Ex-integrante da Comissão de Inteligência da Câmara, ele foi o representante de Trump na Holanda no primeiro mandato, e foi criticado por receber políticos de extrema direita durante uma festa na embaixada.
Hoekstra foi listado entre os colaboradores do Projeto 2025, e o relatório cita algumas de suas críticas, feitas nos anos 1990, ao Departamento de Educação, que pode ser desmantelado pelo republicano.Nenhum dos citados quis se pronunciar.
— O presidente Trump jamais teve qualquer relação com o Projeto 2025 — afirmou Karolien Leavitt, porta-voz do presidente eleito. — Todos os indicados por Trump estão completamente comprometidos com as propostas de Trump, não com os planos de outros grupos.
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Dezoito dos 40 autores e editores do Projeto 2025 atuaram no primeiro mandato de Trump, incluindo Ken Cuccinelli, ex-chefe interino da Segurança Interna; Christopher Miller, ex-secretário interino de Defesa, e Peter Navarro, um de seus conselheiros econômicos.
Fonte: O Globo